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Uma nova versão para o Romance Iracema, de José de Alencar

Primeiramente devo, e peço, desculpas extra-terrenas e bem sinceras ao Sr. José Martiniano de Alencar, um cearense “arretado” que está descansando desde 1877. Como o tempo é longínquo e não corremos o risco de que ele possa se remexer no túmulo, posso respirar mais aliviada.
Sua obra é riquíssima e importantíssima em nossa Literatura e esta é uma versão simples, sincera e nada maledicente do romance Iracema, só um momento de relax.
Na minha versão chego à conclusão de que somente Iracema apaixonou-se por Martim e este fingia que a amava, mas nunca a amou de verdade. Nunca rolou tesão, muito menos amor por parte de Martim. Já Iracema, quanto ardor!
Ela, uma índia Tabajara, pressionada pelo pai, o pajé Araquém, líder da tribo Tabajara, para manter-se virgem, pois guardava o segredo da Jurema. Porém, Iracema, a virgem dos lábios de mel, uma rebelde do seu tempo, já estava de “saco cheio” daquela exigência protocolar de se manter virgem e resolveu mudar essa situação.
A oportunidade apareceu quando Martim surgiu em sua vida, em um daqueles esbarrões que temos em algum dia da nossa monótona vida. Martim era um bravo guerreiro estranho, que tinha na face o branco das areias que bordam o mar e nos olhos o azul triste das águas profundas. Pelo que percebemos um belo espécime de homem. Um homem de deixar qualquer mulher de “cabeça virada”, cheia de boas intenções. E Iracema que no fundo era uma índia muito esperta viu tudo isto.
Iracema acabou enrolando Martim e preparou um “Boa noite Cinderela” pra ele que inocentemente bebeu, ficou dopado e acabou com a virgindade da bela índia. Aquele bem precioso foi-se e ele só se deu conta depois que a barriga de Iracema começou a crescer com Moacir se desenvolvendo todo sapeca.
Irapuã, o maior chefe da nação Tabajara, que era apaixonadíssimo por Iracema viu seus sonhos ruírem. Iracema nunca quis saber do seu amor, dos seus suspiros apaixonados, não “estava nem aí para ele”. Ela no fundo queria era “curtir uma diferente”, nada de “perder” sua virgindade com um índio, afinal, que “coisa mais démodé”. E Martim lhe proporcionou esta grande aventura, uma real mudança em sua vida rotineira.
Depois daquela grande noitada, Martim se viu em maus lençóis. Aí “Inês é morta” (Citei Os Lusíadas, de Camões, porque fiquei apaixonada pela história de Inês de Castro), mas como ele era um cara muito responsável, assumiu a índia. Juntou seus trapinhos e ficou ao lado dela, mas sempre que podia, fugia por longos dias.
Iracema começou a notar que, nos dias em que ele voltava para junto dela, ele sempre tinha os pensamentos e o olhar distantes dali. Ele dizia que sentia saudades dos seus, da sua terra longínqua (Portugal), mas no fundo estava só “enrolando” a coitada, ele estava mesmo era arrependidíssimo da burrada que havia feito, de ter sido enganado por uma índia. Logo ele, um português esperto. Acho que é por causa disto que até hoje fazem tantas piadas com os portugueses. Depois desta viraram motivo de piada.
E vocês querem saber por quem Martim era apaixonado? Por ninguém. Ele era um guerreiro muito ambicioso, frio e calculista, que não estava nem aí para o amor. No fundo ele queria mesmo era ser o chefe da tribo dos Tabajaras ou mesmo da tribo dos Pitiguaras. Em seus devaneios sonhava em juntar as duas em uma única tribo, e dominá-las, conceituando-as com um novo nome. Seriam batizadas de tribo Tabaguara ou Pitijaras, chefiadas pelo grande cacique português Martim, essas eram suas reais intenções políticas.
Martim foi o político mais idealista do seu tempo. Talvez em nossos dias seria tão ou mais votado que Maluf.
Como Martim era um “tipão” de homem, ele conseguiu não só conquistar o coração de Iracema, mas também de um outro personagem. Quem? Não me digam que não perceberam! O nome dele era Poti. Sim, Poti, aquele seu leal amigo, o índio Pitiguara. Inconscientemente nem ele sabia que era um índio Pitiguara “bichona”, totalmente enrustido, e por isso não assumiu, pois nem gostava de pensar que era um índio gay.
Perceberam como ele não se desgrudava de Martim? Em todos os momentos lá estava ele ao lado do seu amor Martim.
Como diria hoje o nosso ator cômico Paulo Silvino: "Aquilo era uma tremenda bichona, doutor."
Novamente saliento que não estou querendo ser venenosa em meu parecer, estou simplesmente registrando o que eu achei, o que deduzi da minha leitura.
As esperanças de Poti aumentaram depois da viuvez de Martim. Ele achava que finalmente havia chegado o momento de assumirem. Agora ele teria coragem de declarar-se. Mas ficou preocupado porque do fruto do relacionamento de Martim com Iracema nascera Moacir, o filho da dor, da dor do arrependimento de Iracema.
Em outros capítulos aparece um outro garboso índio Tabajara, trata-se de Caubi, o irmão de Iracema. Este era outro coitado que sofria calado, apaixonado por Poti, enquanto Poti só tinha olhos para Martim e Martim só tinha olhos para o além. Mas sobrou-lhe a tarefa de ser "a mão que balança o berço”. Terá sido a vingança de Iracema?
E aí temos algo parecido com a música Flor da idade de Chico Buarque de Holanda. É Irapuã que ama Iracema, que ama Martim, que não ama ninguém, mas que vive envaidecido pelos amores de Iracema e Poti, que o ama ardorosamente, e que não tá nem aí para Caubi, o Tabajara que suspira no intervalo de suas batalhas com os Pitiguaras, torcendo para que seu amado não seja ferido.
Será que alguém amava Caubi? Sinceramente, não percebi.
Da mesma forma que Clodovil, após sua vitória na campanha eleitoral para deputado federal, falou que: “Brasília nunca mais será a mesma”, eu me pergunto se o romance Iracema será o mesmo depois disto tudo.
Não me crucifiquem por minhas idéias alucinadas, simplesmente relaxem, pois a vida é muito curta para ser mal vivida e o humor deve fazer parte dela.
Afinal de contas, vivemos no Brasil, um país que conseguiu eleger Maluf, Clodovil, Zito, Genoino e outros mais...
Só o que nos resta ainda é sorrir, ter bom humor para o que ainda virá. Será que ainda vão conseguir piorar? Sinceramente estou torcendo que não, afinal sou uma pessoa otimista.
Atualmente estou cursando Letras e, quem sabe, ainda não serei uma professora nesse Brasil varonil. Enfim, sou uma brasileira e não desisto nunca!


Vilma Pessôa Ferraz

 

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