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PULSARS

“essa ciranda quem me
deu foi Lia que mora
na ilha de Itamaracá”


Eu visito o inconsciente dos poetas:
A face culta da morte,
A farda limpa da vida,
A solidão pérola.
A solidão brilhante lapidado.
Noite em dia de eclipse.
As estrelas longe brilham
E não iluminam.
Aquecem apenas seus planetas
“do coração”.
No meio do peito, pulsars
Emitem o último grito da estrela:
“Até logo”.
Na visita sigo.
Ofereço à Lua um café forte
que a restabeleça da cachaça
que foi o dia anterior.
— Pão?
— Só com manteiga.
Seguem o dia, seguem-se os dias.
Cegue o dia, ceguem-se os dias.
Raiban contra a insensibilidade
do sol que ilumina as feridas.
Segue-se, então, a chuva que
num passe cega as ruas.
Molhando o deserto de asfalto
e concreto vertical.
Molhamos as “casas”.
Lares se iluminam e crescem.
Um, mais dez, mais milhões,
bilhões pulsando, emitindo.
— Check!
Vem a ordem.
O enigma segue.
Seque,
A saca
Se quer
ter
tertúlia
de Lia.



Nilo Sergio Fernandes de Oliveira


 

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