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PORTUGUÊS FORA DO BRASIL
O português considerado padrão é
baseado no dialeto de Lisboa, Portugal. Naquele país,
a variação de dialetos não é
muito grande, mas o Português brasileiro varia
do Europeu em vários pontos, incluindo muitas
diferenças nos sons, sotaques, e, além
disso, uma grande diferença na conjugação
de alguns verbos e na sintaxe.
O mundo lusófono é avaliado hoje entre
170 e 230 milhões de pessoas. O português,
sexta língua mais falada do planeta (terceira
entre as línguas ocidentais, após o
inglês e o castelhano), é a língua
oficial de sete países: Angola (10 milhões
de habitantes), Brasil (152 milhões), Cabo
Verde (346 mil), Guiné Bissau (1 milhão),
Moçambique (15,3 milhões), Portugal
(9,9 milhões) e São Tomé e Príncipe
(126 mil)
.
Em 1996, foi criada a Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa (CPLP), que reúne
os países de língua oficial portuguesa
com o propósito de aumentar a cooperação
e o intercâmbio cultural entre os países
membros e uniformizar e difundir a língua portuguesa.
O português apresenta-se como qualquer língua
viva diferenciando-se, de acordo com a região,
em variedades que divergem de maneira mais ou menos
acentuada quanto à pronúncia, a gramática
e o vocabulário. Tal diferenciação,
entretanto, não compromete a unidade do idioma:
apesar da acidentada história da sua expansão
na Europa e, principalmente, fora dela, a língua
portuguesa conseguiu manter até hoje apreciável
coesão entre as suas variedades.
NA EUROPA
Na faixa ocidental da Península Ibérica,
onde o galego-português era falado, atualmente
utiliza-se o galego e o português. Esta região
apresenta um conjunto de falares que, de acordo com
certas características fonéticas podem
ser classificados em três grandes grupos: dialetos
galegos, dialetos portugueses setentrionais e dialetos
portugueses centro-meridionais.
NA ÁFRICA
Em Angola e
Moçambique, onde o português se implantou
mais fortemente como língua falada, ao lado
de numerosas línguas indígenas, fala-se
um português bastante puro, embora com alguns
traços próprios. A influência
das línguas negras sobre o português
de Angola e Moçambique foi muito leve, podendo-se
dizer que abrange somente o léxico local.
Nos demais países africanos de língua
oficial portuguesa, o português é utilizado
na administração, no ensino, na imprensa
e nas relações internacionais. Nas situações
da vida cotidiana são utilizadas também
línguas nacionais ou crioulos de origem portuguesa.
Em alguns países verifica-se o surgimento de
mais de um crioulo, sendo eles, entretanto, compreensíveis
entre si.
Essa convivência com línguas locais vem
causando um distanciamento entre o português
regional desses países e a língua portuguesa
falada na Europa, aproximando-se em muitos casos do
português falado no Brasil.
NA ÁSIA E OCEANIA
Embora nos séculos
XVI e XVII o português tenha sido largamente
utilizado nos portos da Índia e sudeste da
Ásia, atualmente ele só sobrevive na
sua forma padrão em alguns pontos isolados:
• Em Macau, território chinês sob
administração portuguesa até
1999. O português é uma das línguas
oficiais, ao lado do chinês, mas só é
utilizado pela administração e falado
por uma parte minoritária da população;
• No estado indiano de Goa, possessão
portuguesa até 1961, onde vem sendo substituído
pelo konkani (língua oficial) e pelo inglês;
• no Timor leste, território sob administração
portuguesa até 1975, quando foi invadido e
anexado ilegalmente pela Indonésia. A língua
local é o tetum, mas uma parcela da população
domina o português.
HISTÓRIA DA LÍNGUA NO BRASIL
No início da colonização portuguesa
no Brasil (a partir da descoberta, em 1500), o tupi
(mais precisamente, o tupinambá, uma língua
do litoral brasileiro da família tupi-guarani)
foi usado como língua geral na colônia,
ao lado do português, principalmente graças
aos padres jesuítas que haviam estudado e difundido
a língua. Em 1757, a utilização
do tupi foi proibida por uma Provisão Real.
Tal medida foi possível porque, a essa altura,
o tupi já estava sendo suplantado pelo português,
em virtude da chegada de muitos imigrantes da metrópole.
Com a expulsão dos jesuítas em 1759,
o português fixou-se definitivamente como o
idioma do Brasil. Das línguas indígenas,
o português herdou palavras ligadas à
flora e à fauna, nomes próprios e geográficos.
Com o fluxo de escravos trazidos da África,
a língua falada na colônia recebeu novas
contribuições. A influência africana
no português do Brasil, que em alguns casos
chegou também à Europa, veio principalmente
do iorubá, falado pelos negros vindos da Nigéria
(vocabulário ligado à religião
e à cozinha afro-brasileiras), e do quimbundo
angolano (palavras como caçula, moleque e samba).
Criou-se uma forma "creolizada" de se falar
português, que, mesmo com todas as tentativas
de impedi-la, por parte dos grandes aristocratas brasileiros
de época, sobreviveu e absorveu mais culturas
diferentes.
Um novo afastamento entre o português brasileiro
e o europeu aconteceu quando a língua falada
no Brasil colonial não acompanhou as mudanças
ocorridas no falar português (principalmente
por influência francesa) durante o século
XVIII, mantendo-se fiel, basicamente, à maneira
de pronunciar da época da descoberta. Uma reaproximação
ocorreu entre 1808 e 1821, quando a família
real portuguesa, em razão da invasão
do país pelas tropas de Napoleão Bonaparte,
transferiu-se para o Brasil com toda sua corte.
Após a independência, o português
falado no Brasil sofreu influências de imigrantes
europeus que se instalaram no centro e sul do país.
Isso explica certas modalidades de pronúncia
e algumas mudanças superficiais de léxico
que existem entre as regiões do Brasil, que
variam de acordo com o fluxo migratório que
cada uma recebeu.
No século XX, a distância entre as variantes
portuguesa e brasileira do português aumentou
em razão dos avanços tecnológicos
do período: não existindo um procedimento
unificado para a incorporação de novos
termos à língua, certas palavras passaram
a ter formas diferentes nos dois países.
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