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Nunca é tarde para o amor

Isabel, uma fazendeira muito bonita, morena de 32 anos, uma cor de pele curtida pelo sol escaldante de sua fazenda, pele bem tratada com os cremes usados diariamente, belos olhos verdes, longos cabelos caídos nos ombros, vivia naquele lugar rodeada de seus empregados, já que há muito tempo se afastara de sua família e de uma grande desilusão amorosa. Após anos de grande entrega a um homem, descobriu que o mesmo só estava envolvido com ela por interesse. Só queria saber de sua fortuna, de seus negócios, e a usava para tornar-se uma pessoa importante perante às outras.
Por estar muito apaixonada demorou a notar que só estava sendo usada. Sofreu, chorou, não conseguiu se afastar imediatamente, porém um dia largou tudo e foi parar no interior do Estado, onde ficou hospedada em uma estalagem bem simples, e com o passar do tempo resolveu que viraria uma fazendeira.
Não conhecia nada daquela vida rural, mas se entregou de corpo e alma àquela nova forma de vida.
E os anos se passaram, se fechou para o amor, vivia somente para seus bichos, suas plantações, suas flores, e não deixou de cuidar de si mesma. Na labuta diária, assumindo o comando de todas as atividades ali desenvolvidas, não deixou de cuidar de sua beleza. Continuava a ser uma mulher vaidosa.
Os fazendeiros locais sonhavam com ela. Queriam tê-la em seus braços e ela não tinha olhar para nenhum deles. Ela simplesmente não tinnha mais tempo para o amor. Esqueceu-se totalmente daquela coisa que a tempos atrás tinha lhe causado tanto sofrimento, tanta dor.
E seus dias iam transcorrendo tranquilamente. E ela a cada dia mais se adaptava aquela sua nova forma de viver.
Em outra cidade, distante dali, um casal feliz – Davi e Luciana, curtiam sua doce vidinha. Ele com seus 36 anos, ela com 29. Estavam casados a três anos e aguardavam ansiosamente a vinda de um filho para complementar a alegria conquistada naquele relacionamento.
Resolveram que passariam o final de semana na Região dos Lagos, e no sábado saíram bem cedo para aproveitarem bem o sol daqueles dois dias, que tinham certeza, seriam maravilhoso. E como programado tiveram um belo final de semana. Dois dias repletos de prazer, risos e alegrias. Ao voltarem para casa combinavam que sempre que pudessem retornariam e curtiriam novamente aquele belo lugar. Estavam muito felizes.
E foi no retorno de um desses finais de semana que houve um acidente automobilístico que ocasionou a morte de Luciana. Davi estava ao volante e de repente um motorista de caminhão, que provavelmente deu uma cochilada, veio ao encontro do seu carro, e acabou com sua alegria, com seu amor, com sua vida, e levou para sempre sua amada esposa.
Davi após este incidente se fechou para o mundo. Só vivia do trabalho para casa, e de casa para o trabalho. Ficou tão frustrado que até sua vida sexual acabou também. Não tinha mais nenhum desejo, não conseguia mais olhar para nenhuma mulher.
Chegou a um ponto que a depressão tomou tanta conta do seu ser. Percebeu com o passar do tempo que não tinha mais ereção. Sua vida não tinha mais graça, não conseguia e não queria mais se envolver com ninguém. Decidiu que nunca mais teria outra mulher na sua vida.
Um belo dia resolveu que não queria mais viver na cidade grande. Vendeu tudo que tinha, pediu demissão do seu emprego, e foi para o Interior. Com essa decisão acabou indo parar na fazenda de Isabel à procura de um trabalho remunerado que bastasse à sua sobrevivência.
Não conhecia nada dos serviços, sua experiência era em outras áreas. Mas tinha vontade de aprender, estava disposto a desenvolver outro tipo de trabalho, bem diferente do que fazia antes. E no fundo da sua alma sabia que aquele tipo de vida só faria bem a ele. Com o passar do tempo chegou à conclusão que aquela tinha sido a melhor decisão que havia tomado para seu futuro.
A única coisa que não abandonou e que continuou naquela sua nova vida foram seus livros. Suas noites eram preenchidas com a leitura dos mesmos. Acordava toda manhã sempre disposto, sentia que renascia a cada dia. Olhava aquele campo com os animais pastando, a fazenda rodeada de árvores, de flores, de paz, aquele sol escaldante que começava a surgir, o calor daquele sol começando a entrar em seu ser, lhe dando forças para reviver. Sentia-se novamente vivo, renascendo dia-a-dia.
Não arrependeu-se em nenhum momento por ter mudado de ares, lembrava com saudades de Luciana, sua amada esposa, e orava muito por ela.
Um dia Isabel em sua solidão olhando para o céu estrelado viu Davi seguindo para seu alojamento. Ela o seguiu com o olhar, viu quando ele entrou e quando as luzes acenderam. E ela se estranhou, porque percebeu que seu coração palpitou, ficou inquieta com a presença daquele homem, mesmo distante de si. Ela que não tinha qualquer tipo de emoção a tanto tempo ficou surpresa com aquela reação. E Davi naquela noite tornou-se um homem interesssante aos seus olhos.
Ela rapidamente tentou afastar aqueles pensamentos e decidiu ir para sua cama solitária. Quando deitou-se viu a imagem de Davi novamente à sua frente. Dormiu, sonhou lindos sonhos com Davi. E acordou feliz.
Isabel que achava que nunca mais sentiria uma emoção daquelas, brigava consigo mesma, querendo tirar aquela sensação que insistia invadir seu ser.
Já era vaidosa e passou a ser mais a partir daquela noite. Resolveu que iria convidar Davi para um jantar. Não sabia como, nem como teria coragem, e resolveu como patroa, dirigir-lhe um convite bem formal. Davi recebeu o convite como uma obrigação a ser cumprida, pois foi como ela formalizou para ele. E, ao seguir para seu banho, ao pegar uma roupa mais caprichada para aquele momento, se surpreendeu consigo mesmo ao ser ver animado para jantar com sua patroa. Não podia negar que já olhara para ela e a achara uma mulher muito interessante.
Chegou formal para o jantar, e manteve-se assim durante toda a noite. Ao acabarem, resolveram ir para a varanda, e ali começaram a travar um diálogo, bem agradável por sinal. E o papo foi ficando tão interessante que ambos acabaram esquecendo das horas. Despediram-se e Isabel muito simpática falou-lhe que precisavam repetir aquele encontro.
Dois dias depois lá estava Davi jantando novamente com Isabel. E isto acabou virando uma rotina diária para eles. Em uma noite os dois se olharam profundamente, e após um longo abraço, se beijaram. Nada falaram e se amaram. E nesta união de desilusões Davi percebeu que havia se tornado novamente um homem de verdade. Amou Isabel com todo amor que existia em seu ser. Isabel ficou relaxada em perceber também que ela, naquele momento, havia também se transformado. A vida estava lhe dando nova chance, sentia que voltara a ser uma mulher na essência de toda palavra. Ambos ficaram muito relaxados, felizes, esperançosos por novos dias.
Isabel e Davi nunca mais, depois daquela noite, conseguiram se separar. Os encontros foram ficando cada vez mais calorosos, a cada dia Davi se sentia mais homem, e Isabel mais plena como mulher. Não era só o sexo que os unia, era um amor intenso que a cada dia os completava. Ele passou a ser o homem que a completava sexualmente, passou a ser o real o amor da sua vida. E Isabel passou a ser a felicidade presente e futura de Davi. A esperança de que a vida continua, que a felicidade ainda existe, e que só se esconde de nós em determinados momentos da vida.
Hoje já se passaram cinco anos. E a família aumentou, chegaram Carolina e Ana para completarem sua felicidade. Suas queridas filhas, que tem 4 e 2 anos de idade alegram mais ainda aquela nova família.
A fazenda continua linda, agora mais ainda. Pois hoje ali mora uma família feliz. Moram dois antigos desiludidos que ganharam dos céus a chance de encontrarem a felicidade.
Nenhum dos dois procuraram esta felicidade, mas ela os encontrou. E a partir daí vemos que nunca é tarde para o amor, nunca é tarde para sermos felizes.

 

Vilma Pessôa Ferraz

 

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