Mulher
quantas vezes hei de proclamar-te mulher
se não mais sentes a palavra
posta em teu ventre
quantas vezes hei de declarar-te mulher
se ao menos nem finges encontrar-te
nas palavras
quantas vezes hei de implorar-te em
vão
o vestígio vulgar de tuas mãos
arrependidas
se o ofício fosse palavra dita,
não lida,
tu obedecerias estas correntes imaginárias,
que compõem um vão um
arrependimento um cárcere.
se o ofício fosse labuta, lida,
tu te renderias às minhas sangrentas
estendidas,
disfarçadas
e então te proclamarias enfim
mulher,
e implorarias o perdão dos meus
pecados.
Wander
Lourenço
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