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Lua de Ícaro

Escravo da insanidade
Despercebe a loucura,
Manifesta a liberdade
Ainda que por detrás das grades
Da pequena cela escura.

Orgulhoso das enormes asas
Sobrevoa a cidade,
Acima dos telhados sujos das casas
Mesmo que com as mãos atadas,
Bate palmas de felicidades.

Os pés no chão úmido e frio
Não lhe remetem a realidade;
Plaina sutil
Em seu vôo infantil
Tal como anjo de verdade.

Os olhos brilhantes
Miram por hora a lua que nos parece vazia.
Rasga ao meio nuvens gigantes
Extasiado com o azul cintilante
Que os outros homens não viam.

Enquanto a platéia aturdida assiste,
A busca continua.
No rosto aflito o sorriso insiste
E ainda que convulsionado o corpo resiste
Pressentindo a alma chegar à lua.



Edson Augusto Alves

 

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