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Lida de poeta

 

Cumpro o destino de lidar com as palavras

E os seus corcéis mais traiçoeiros,

Descumprir sinas emaranhadas ao embrenhar-me

Por seus vãos desconhecidos,

Por palcos, refrãos, acordes e sílabas – vidas rimadas

Palavra – lida de poeta, soberba agonia

Palavra em honra empenhada

Na voz de um afinado seresteiro

Sob janelas imaginárias

Quando desperta a musa amada

Oh, palavras!... Oh, palavras!...

Em canções que me empenho em dizer-te

Cruamente que lidar com as palavras

Sem carecer de lê-las e desconhecê-las

Nas palmas ciganas de alheias mãos

Com o vozeio companheiro das platéias

Enluaradas, é sussurrar a oração

Mais doce e desesperada

É sublimar o instante da criação

Oh, palavras!... Oh, palavras!...

 

Wander Lourenço

 

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