Lágrimas secas apodrecem nas calhas
Lágrimas secas apodrecem numas
calhas
Emudecidas pelo choro tempestivo
E frio de uma nuvem que passa como o vivo
Corpo nu da alma estendida d’algumas malhas.
D’um varal a beira-peito a deriva,
esquivo
Em cortes da face cega e seca das calhas,
Agora, perdidas na enchente de umas talhas
Vulneráveis em revoltas, por ser passivo.
Desfragmento a chuva e comporto nas
amarras
De um momento suicida que procura a ponte
De ligação onde explode o oco das palavras.
Caladas no vento uiva dor descontente
Por perder seu choro para o pranto das caras
Métricas caídas da loucura de uma mente.
Hugo de
Souza Didier
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