| 
Fernando Pessoa
Extremamente inteligente e talentoso, Pessoa inovou
a poesia, extrapolando as características
estéticas do período Modernista,
no qual estava inserido. Cada vez mais leitores
têm descoberto o valor do escritor e do
pensador Fernando Pessoa, homem que teve a capacidade,
entre outras coisas, de "teatralizar"
poeticamente, por meio de estilos de escrita diferenciados,
múltiplas facetas interiores do ser humano,
indo muito além de pseudônimos, para
criar heterônimos, como representantes contundentes
dos "eus" que habitam dentro de todos
nós.
Considerado um dos maiores poetas da língua
portuguesa, Fernando Antônio Nogueira Pessoa,
ou simplesmente "Fernando Pessoa”,
como preferia assinar, nasceu em 1888 em Lisboa,
Portugal, e faleceu em 1935, nessa mesma cidade.
Uma biografia de Fernando Pessoa seria na verdade
uma coleção de biografias. Uma dele
próprio; outras tantas para seus heterônimos.
Alberto Caeiro, Álvaro de Campo, Ricardo
Reis, Bernardo Soares, só para falar em
alguns destes heterônimos, que não
são pseudônimos como alguns pensam,
mas escritores com personalidades e estilos próprios,
com vida e história independentes dos demais.
A genialidade de Pessoa era tamanha que não
cabia em um só homem; eram necessários
vários homens, para dar vazão a
tanta criatividade, ao transbordamento de idéias
que o acometia.
Grande conhecedor da língua portuguesa,
ele próprio brincou com seu sobrenome:
Pessoa. Talvez Pessoas fosse mais adequado, para
um poeta que era habitado por tantos outros.
Quando tinha cerca de 5 anos, seu pai morre com
apenas 43 anos. Em 1894, então com 6 anos
de idade, cria seu primeiro heterônimo:
Chevalier de Pas. Em 1896, parte com sua família
para Durban, África do Sul, onde vão
morar com o novo marido de sua mãe, o comandante
João Miguel Rosa, cônsul interino
de Portugal naquele país. Lá Fernando
Pessoa vai aprender inglês e francês,
línguas em que escreverá alguns
poemas e grandes trabalhos de tradução.
Em 1905 parte sozinho para Lisboa, onde pretende
se inscrever no Curso Superior de Letras. Embora
tenha ingressado no curso, jamais o terminou.
A partir de 1912 (ano em que nasce Ricardo Reis
em sua cabeça), Pessoa entra numa fase
bastante produtiva colaborando com a revista Águia,
onde publica uma série de artigos e poemas.
Pessoa nunca se casou. Teve por algum tempo um
namoro com Ophélia, mas acabou por desistir
do namoro para casar-se com a literatura.
Embora tenha escrito e publicado dezenas de artigos,
ensaios e poemas em seus anos de vida, por incrível
que pareça, ele que é um dos maiores
poetas da língua portuguesa, publicou apenas
um livro em vida, o Mensagem em 1934.
Em janeiro de 1935 pensa em mudar-se para as cercanias
de Lisboa para compor seu primeiro grande livro
a ser publicado, o que não aconteceria.
Em 29 de novembro deste ano, Fernando Pessoa é
hospitalizado com uma cólica hepática.
No dia seguinte, 30 de novembro de 1935, com apenas
47 anos de vida, falece Fernando Pessoa.
|
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é
dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só as que eles não
têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando
Pessoa)
|