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Epifania
Retomando as visões
sobre ser, o meu olho viu do topo do alto monte e se
encheu de um suspiro capaz de fazer a alma de um poeta
vibrar. Lá de cima foi que eu vi. Tudo, lá
de cima observado, parecia com aquilo tudo que de dentro
de mim não podia sair. É como se depois
de ter visto tudo, a minha alma me exigisse a postura
correta sobre aquilo. É da mesma forma que ela
me perguntasse o que haveria de ser após um dia
de sol. Como se minha inspiração, empurrada
por minha alma, quisesse viver só, quisesse agir
por própria vontade. É ainda como uma
pena viva que toma o papel de súbita fúria.
A fúria me revela, a esse Eu físico, o
que está por trás do que eu vi. Como se
quisessem que um cego soubesse o verde e o roxo.
A fim de fazer mais clara a minha compreensão,
a minha inspiração me remete ao animal,
que em seu estar no mundo, permanece. A onça
vira onça porque vê, a girafa é
girafa mãe porque viu sua mãe e o elefante
é imenso porque viu o imenso.
O humano vê a onça, vê a girafa e
o elefante e pode ser qualquer um deles. O humano toma
o pasto das almas e as liberta para fruir a selvageria
e a imensidão. O hibridismo do ser humano é
subversivo. Ele leva o humano a ser o que quer, não
o que vê, o que vê não funciona como
funciona para a girafa ou para o elefante. Para o humano,
não ver é fatal, é sim não
ver o que não se deseja ser.
A minha inspiração me determina como se
determina o fim da sala com a parede. Ela me dilui como
o açúcar no café, alvo e logo doce
e negro. Porém, a determinância e obscuridade
não são imagens da minha condição
poética ou vital, mas humana.
Vital não é humano. Vital é desfrutar
da areia do mar para caminhar confortavelmente. O vital
não é só vida, é reconhecer
perante o vegetal a capacidade de se fazer ser o que
se quer ser.
A alma logo deixa de vibrar e logo o peito inflado do
ar montanhoso dá lugar à melancolia de
ser o humano e nada mais de fúria ou desordem,
agora são a melancolia e a visão. Até
que se chegue novamente ao ponto de desfazer-se.
Lucas Vieira
Souza
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