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Diadorim
Amor é crença de Menino,
moço,
Pássaro que põe ovos de
ferro
No ninho do cantador, qual deus pobre
diabo cego sem destino,
Tateando luz interior por sobre alvoradas
Que afloram na memória das águas
do rio São Chico
Em sua embarcação alada
depõe as margens dos versos
No infinito da toada ao redor de fogueira
enluarada
Diadorim... Te adorar, Diadorim... Diadorim...
Diadorim, tuas vestes arrancadas não
mais encobrem
As querências proibidas de um
jagunço homem-flor:
Colete de couro rasgado a punhal que
desmascara
Os teus ventres não habitados
de guerreiro-mulher.
Diadorim, os teus cabelos aparados por
tesoura de prata,
Quiçá escorreriam, por
entre os dedos das mãos,
Que acariciam a viola
Até desaguar na foz nascente
dos tempos que tecem
Os fios da narração do
contador de estórias
– secas vozes que desobedecem
aos assombros de amor.
Diadorim... Te adorar, Diadorim... Diadorim...
Reinaldo, valente Menino, senhor moço,
Verd’olhos ternos-odiosos qual
cor das ribanceiras,
que sombreiam os íntimos rastros
e signos
do teu ser – enigma de paixão
silenciosa.
Diadorim, o verdejar dos olhos teus
cor de serra dos Gerais
Confins das Minas,
Diadorim, o teu olhar, Diadorim, verdejar-te,
Diadorim
Qual luz e cor, talhe de folha de palmeira
– buritis
Diadorim... Te adorar, Diadorim... Diadorim...
Wander
Lourenço
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