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                           Cora Coralina         

Ana Lins do Guimarães, que ficou conhecida sob o pseudônimo de Cora Coralina, nasceu em 20/08/1889 e foi a grande poetisa do Estado de Goiás. No entanto, seu primeiro livro só foi publicado aos 75 anos e muitas de suas obras só chegaram até Carlos Drummond de Andrade quando ela já tinha 90 anos.

Seu sucesso e suas obras retratavam o povo de seu Estado, costumes, cultura, dentro de uma espontaneidade e de um carisma fabulosos.

Cora Coralina casou-se em 1911 com um advogado divorciado com quem teve seis filhos. Já nessa época sentia a necessidade de integrar-se a uma área literária, porém quando teve a chance de participar da Semana de Arte Moderna, a convite de Monteiro Lobato, foi impedida pelo marido. Em 1934, torna-se vendedora de livros da editora José Olimpio e, em 1965, lança seu primeiro livro, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Em 1976, é lançado "Meu Livro de Cordel", pela editora Cultura Goiana.

Cora Coralina só descobriu-se poeta na velhice, depois de uma vida de luta e de um casamento desastroso que ela carregou corajosamente. Somente após a morte do marido, conseguiu se enxergar como mulher e poeta.

Cora Coralina só tinha a instrução primária e era doceira, mas teve que abandonar a profissão devido à fratura do fêmur direito.

A poetisa nunca deixou de lutar pelas causas sociais, escreveu sobre temas relacionados a presidiários, menores abandonados, pobreza, prostitutas e toda uma classe social discriminada. Foi criticada por isso, mas teve os elogios merecidos pois em toda sua biografia retratou com êxito sua cidade natal, Goiás.

Foi considerada autoditada e reconhecida com o troféu Juca Pato como intelectual. Na adolescência lia jornais, romances e adorava frequentar saraus. Morreu em 1985 aos 96 anos.

Não sei...

Não sei... se a vida é curta...

Não sei...
Não sei...

se a vida é curta
ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.

 

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