Cláudio Manuel da Costa
Introdutor do Arcadismo no Brasil com Obras
Poéticas (1768), Cláudio estudou
em Coimbra, onde testemunhou a fundação
da Arcádia Lusitana.
Rico advogado, fazendeiro
abastado, cidadão ilustre, pensador de mente
aberta e mecenas do Aleijadinho, trabalhou na sua
cidade natal, Mariana, e estabeleceu-se em Vila
Rica, onde reuniu em torno de si os intelectuais
da região, tornou-se conhecido principalmente
pela sua obra poética.
Por sua idade, boa lição clássica,
fama de doutor e crédito de autor publicado,
exerceu Cláudio da Costa ali uma espécie
de magistério entre os seus confrades, maiores
e menores, que todos lhe liam as suas obras e lhe
escutavam os conselhos, era uma das figuras principais
da Capitania.
Adota o pseudônimo de Glauceste Satúrnio
e revela-se frustrado com sua própria obra:
"vejo e aprovo o melhor, mas sigo contrário
na execução". Foi, no entanto,
fundamental para a propagação das
idéias neoclássicas no Brasil.
Aos sessenta anos foi comprometido na chamada Conjuração
Mineira. Preso e, para alguns, apavorado com as
conseqüências da tremenda acusação
de réu de inconfidência, morreu em
circunstâncias obscuras, em Vila Rica, no
dia 4 de julho de 1789, quando teria se suicidado
na prisão.
Os registros da trajetória da vida de Cláudio
Manuel revelam uma bem sucedida carreira no campo
político, literário e profissional.
Foi secretário de vários governadores,
poeta admirado até em Portugal e advogado
dos principais negociantes da capitania no seu tempo.
Acumulou ampla fortuna e sua casa em Vila Rica,
era uma das melhores vivendas da capital. Sólida
e suntuosa construção que ainda lá
está a desafiar o tempo.
A memória de Cláudio Manuel da Costa,
porém, não teve a mesma sorte. Até
hoje paira sobre ele a suspeita de ter sido um miserável
covarde que traiu os amigos e se suicidou na prisão.
Outros negam até a própria relevância
da sua participação na inconfidência
mineira, pintando-o como um simples expectador privilegiado,
amigo de Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga
Peixoto, freqüentadores assíduos dos
saraus que ele promovia.
Cláudio tentou, ele próprio, diminuir
a relevância da sua participação
na conspiração, mas estava apenas
tentando reduzir o peso da sua culpa diante dos
juizes da devassa. Os clássicos da historiografia
da inconfidência mineira são unânimes
em valorizar sua participação no movimento.
Parece que ele era meio descrente com as chances
militares da conspiração. Mas não
deixou de influenciar no lado mais intelectualizado
do movimento, especialmente no que diz respeito
à construção do edifico jurídico
projetado para a república que pretendiam
implantar em Minas Gerais, no final do século
XVIII.
É Patrono da Academia Brasileira de Letras.
Glauceste Saturnino (ou Glauceste Satúrnio),
pseudônimo do autor, faz parte da transição
do Barroco para o Arcadismo. Seus sonetos herdaram
a tradição de Camões.

Soneto I
Para cantar de amor tenros cuidados,
Tomo entre vós, ó montes, o instrumento;
Ouvi pois o meu fúnebre lamento;
Se é, que de compaixão sois animados:
Já vós vistes, que aos ecos magoados
Do trácio Orfeu parava o mesmo vento;
Da lira de Anfião ao doce acento
Se viram os rochedos abalados.
Bem sei, que de outros gênios o Destino,
Para cingir de Apolo a verde rama,
Lhes influiu na lira estro divino:
O canto, pois, que a minha voz derrama,
Porque ao menos o entoa um peregrino,
Se faz digno entre vós também de fama.
Cláudio
Manuel da Costa |