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Chico Buarque


Um dos maiores nomes da poesia nacional, com uma carreira extremamente profícua, Chico Buarque é hoje uma referência obrigatória em qualquer citação à música brasileira dos anos 60 até os dias atuais. Compositor, intérprete, poeta e escritor, tem influência decisiva em praticamente tudo o que aconteceu musicalmente no Brasil nos últimos 35 anos, pelo requinte melódico, harmônico e poético que suas obras apresentam.

Filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, morou em São Paulo, Rio e Roma durante a infância. Desde criança teve contato em casa com grandes personalidades da cultura brasileira, como Vinicius de Moraes (que viria a se tornar seu parceiro), Baden Powell e Oscar Castro Neves, amigos dos pais ou da irmã mais velha, Miúcha, também cantora e violonista.

Em 1964, começou a se apresentar em shows de colégios e festivais e no ano seguinte gravou pela RGE o primeiro compacto, com Pedro Pedreiro e Sonho de um Carnaval. Desde então não parou mais de compor e se apresentar, participando de festivais internacionais de música e atuando no programa O Fino da Bossa, da TV Record.

Ainda em 65, musicou o poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, que fez enorme sucesso no Brasil e na França, para onde excursionou, arrancando elogios até mesmo do poeta João Cabral, que admite só ter autorizado a utilização do poema por amizade ao pai de Chico.

Sua participação em festivais foi definitiva para a consolidação de sua carreira. Fez sucesso com Roda Viva, Carolina e Sabiá, e defendeu ele mesmo suas músicas Benvinda e Bom Tempo. Lançou LPs no fim da década de 60, fazendo shows na França e Itália, onde morou por aproximadamente um ano.

De volta ao Brasil, fez música para cinema e gravou um de seus discos mais bem-sucedidos, Construção. Várias de suas composições e peças de teatro tiveram problemas com a censura na época da ditadura militar, e chegou a usar o pseudônimo Julinho de Adelaide para assinar algumas de suas músicas, como Acorda, Amor.

No teatro, escreveu Gota D'Água com Paulo Pontes, e a Ópera do Malandro. Como escritor, lançou em 1991 o romance Estorvo e, quatro anos depois, Benjamin. Depois disso voltou a dedicar-se à música, lançando Paratodos em 1993 e As cidades em 1999, ambos com amplas turnês pelo Brasil e exterior.

Em 1998, foi enredo da Escola de Samba Mangueira, que ganhou o desfile daquele ano. Em 2001, Chico lança o DVD As cidades, filmado em película: o especial traz cenas captadas no Rio de Janeiro e em Buenos Aires. Entre as participações especiais estão Jamelão, a Velha Guarda da Mangueira e Maria Bethânia.

O CD Duetos é lançado em 2002 e reúne 14 das mais de 200 participações de Chico cantando com outros artistas. Participaram do CD: Marçal, Ana Belén, Nara Leão, Zeca Pagodinho, Sergio Endrigo, Nana Caymmi, Johnny Alf, Pablo Milanés, João do Vale, Dionne Warwick, Miúcha, Tom Jobim e Elba Ramalho.

O DVD Chico ou o país da delicadeza perdida é lançado em 2003. Neste trabalho, Chico Buarque estreou para a televisão francesa em 1990. Após 8 anos sem gravar um disco de inéditas, Chico Buarque lança o CD Carioca em 2006. São 12 faixas, algumas em parceria com os artistas Edu Lobo, Ivan Lins e Tom Jobim.



Construção


Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado


Chico Buarque

 

 

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