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Cecília Meireles

A literatura brasileira é mesmo muito rica em excepcionais poetas, que se perpetuam através dos tempos com suas poesias que tanto nos dizem, que nos fazem, por vezes, rir e chorar, refletir e viajar... e, no caso de Cecília Meireles, essa tese se confirma perfeitamente.
Nascida no Rio de Janeiro a 7 de novembro de 1901, no bairro da Tijuca, Cecília Benevides de Carvalho Meireles teve uma infância muito triste: seu pai faleceu quando ela contava com apenas três meses de vida e, sua mãe, quando possuía três anos incompletos. A partir desse momento, passou a ser criada pela avó. Uma frase de Cecília que retrata muito bem a difícil situação e sua infância foi a seguinte: “Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno”.
Aos 16 anos, conclui o Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, em 1917, passa a exercer o magistério primário em escolas oficiais da antiga capital federal. E, em 1919, publica seu primeiro livro de poesias, Espectro; em seguida os publicados Nunca mais... e Poema dos Poemas, em 1923, e Baladas para El-Rei, em 1925.
Em 1925, Cecília Meireles casa-se com o pintor português Fernando Correia Dias (com quem tem três filhas). O casamento foi, no entanto, abreviado pelo suicídio de Correia Dias, em 1935; em 1940, então, Cecília estabelece novos laços matrimoniais com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.
De 1930 a 1931, mantém no Diário de Notícias uma página diária sobre problemas de educação; a 1939, recebe o prêmio de poesia Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, pelo seu livro Viagem, fato esse que comprova a altíssima qualidade de sua obra.
Em 1942, torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ). Passa a realizar numerosas viagens aos Estados Unidos, à Europa, à Ásia e à África, fazendo conferências, em diferentes países, sobre Literatura, Educação e Folclore, em cujos estudos se especializou.
A 1953, é agraciada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Délhi, na Índia; em 1963, é a vez de ganhar o consagrado Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro "Poemas de Israel", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.
Falece no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1964, sendo-lhe prestadas grandes homenagens públicas. Seu corpo é velado no Ministério da Educação e Cultura. Recebe, ainda em 1964, outro Prêmio Jabuti, desta vez na categoria Poesia, pelo livro Solombra, concedido pela Câmara Brasileira do Livro.
Além de haver recebido várias homenagens póstumas por suas obras, Cecília Meireles teve sua poesia traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu. Sua obra foi assim julgada pelo crítico Paulo Rónai:"Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa. Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo...A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea”.

Guitarra

"Punhal de prata já eras,
punhal de prata!
nem foste tu que fizeste
a minha mão insensata.
vi-te brilhar entre as pedras,
punhal de prata!

- no cabo flores abertas,
no gume, a medida exata,

exata, a medida certa,
punhal de prata,
para atravessar-me o peito
com uma letra e uma data.

A maior pena que eu tenho,
punhal de prata,
não é de me ver morrendo,
mas de saber quem me mata.

(Cecília Meireles)

 

 

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