Luís
Vaz de Camões
Considerado um dos
maiores poetas da humanidade, Luís Vaz de
Camões (cerca de 1524 - 10 de Junho de 1580)
é o maior poeta da Língua portuguesa.
A epopéia Os Lusíadas é
a obra mais significativa.
Camões nasceu em local desconhecido, (especulasse
que tenha nascido em Lisboa), era de família
de origem galega que se fixou primeiro no Norte
do país lusitano (Chaves), indo morar mais
tarde em Coimbra e Lisboa.
Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os
estudos pelo ambiente da corte de D. João
III, conquistando fama de poeta, e feitio altivo.
Viveu algum tempo em Coimbra onde teria frequentado
o curso de Humanidades, talvez no Mosteiro de Santa
Cruz, onde tinha um tio padre D. Bento de Camões.
Não há registos da passagem do poeta
por Coimbra. Em todo o caso, a cultura refinada
dos seus escritos torna a única universidade
de Portugal do tempo como o lugar mais provável
de seus estudos.
Camões não ficou restrito aos limites
físicos de Portugal: seguiu para o Oriente,
indo primeiramente à Goa, na Índia.
Em 1556, seguiu para a ilha de Macau, que mais tarde
viria a ser território chinês, onde
continuou os seus escritos.
Viveu numa célebre gruta com o seu nome e
por aí terá escrito boa parte de "Os
Lusíadas". Naufragou na foz do
rio Mekong, onde conservou de forma heróica
o manuscrito dos Lusíadas então já
adiantados. No naufrágio teria morrido a
sua companheira chinesa Dinamene, celebrada em série
de sonetos.
Regressa à Goa antes de Agosto de 1560 e
pede a proteção do Vice-Rei D. Constantino
de Bragança num longo poema em oitavas. Aprisionado
por dívidas, dirige súplicas em verso
ao novo Vice-Rei, D. Francisco Coutinho, Conde do
Redondo, para ser liberto.
Em 1568, viaja para a Ilha de Moçambique,
onde, passados dois anos, Diogo do Couto o encontrou,
como relata na sua obra, acrescentando que o poeta
estava "tão pobre que vivia de amigos".
Diogo do Couto pagou-lhe o resto da viagem até
Lisboa, onde Camões aportou em 1570.
Em 1580, de regresso à Lisboa, assistiu à
partida do exército português para
o norte de África, morre numa casa de Santana,
em Lisboa, sendo enterrado numa campa rasa numa
das igrejas das proximidades.
Os Lusíadas é considerada
a principal epopéia da época moderna
devido à sua grandeza e universalidade. As
realizações de Portugal desde o Infante
D. Henrique até à união dinástica
com Espanha em 1580 são um marco na História,
marcando a transição da Idade Média
para a Época Moderna.
A epopéia narra a história de Vasco
da Gama e dos heróis portugueses que navegaram
em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram
uma nova rota para a Índia.
É uma epopéia humanista, mesmo nas
suas contradições, na associação
da mitologia pagã à visão cristã,
nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império,
no gosto do repouso e no desejo de aventura, na
apreciação do prazer e nas exigências
de uma visão heróica. Tudo isso aliado
às rimas perfeitas e musicalidade impecáveis
fazem dessa obra uma das mais perfeitas já
escrita em todos os tempos.
As armas e os barões
assinalados
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana
E em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias
gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando:
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Camões, Os Lusíadas,
Canto I.