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 Língua Portuguesa e Concursos Públicos

Por: Roberta Binatti


Quando alguém decide prestar um concurso público é bastante comum a atitude de supervalorizar as disciplinas específicas e deixar a Língua Portuguesa em segundo plano. Este comportamento é um dos responsáveis pelo fato do Português ser um dos maiores responsáveis pelas reprovações nos concursos.
A Língua Portuguesa é disciplina presente direta e indiretamente em todos os concursos públicos. A presença indireta do Português é inerente a todas as disciplinas contidas no programa (excetuam-se apenas as línguas estrangeiras), visto que para resolver uma questão é necessário compreender o que pede seu enunciado. A presença direta ocorre quando há uma parte da prova com questões específicas de Língua Portuguesa. A prova para Investigador Policial, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, elaborada pela Fundação Cesgranrio e aplicada em fevereiro de 2006 é um bom exemplo da presença cada vez mais direta e “esmagadora” da Língua Portuguesa nos Concursos Públicos. O concurso, que exigia ensino médio, era composto por sessenta questões: trinta questões de Língua Portuguesa, com peso 2; trinta questões de Direito, com peso 1; dez questões de Informática, com peso1. Apesar de Português e Direito apresentarem o mesmo número de questões, Português foi responsável por sessenta por cento da prova, devido ao seu peso dobrado.
Por que candidatos de níveis médio e superior, que estudaram no mínimo onze anos de Português na escola ficam reprovados, ou não obtêm os resultados esperados nesta disciplina?
São muitos os porquês, que podem, de forma bastante simplificada, ser enumerados como: a qualidade da educação formal, a falta do hábito de leitura, a desvalorização da disciplina pelos candidatos e a presença de questões nas provas que não dizem respeito ao real uso do Português no Brasil.
Poucos brasileiros têm acesso a um ensino formal de qualidade, tanto na rede pública quanto na particular, não só ao que diz respeito à Língua Portuguesa, mas em relação a todas as disciplinas do currículo básico, este é um sério problema de políticas públicas educacionais, que demanda soluções urgentes.
A leitura é muito importante para a apreensão das formas cultas da língua, para ampliação do vocabulário e para ativar a criatividade. É a prática da leitura que torna uma pessoa capaz de ler as entrelinhas, de compreender as intertextualidades, de “ler o mundo” como disse o mestre Paulo Freire. Um candidato que tenha a leitura como hábito, ainda que não se dedique ao estudo do Português, não terá muita dificuldade em resolver boa parte das questões de Língua Portuguesa que vêm sendo propostas nos concursos mais recentes, pela maioria das bancas, pois estas buscam avaliar a capacidade interpretativa e lógica dos candidatos.
Hoje em dia a maioria dos concursos é composta por diversas disciplinas, o concurso para Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF) que exige nível superior completo em qualquer área, por exemplo, é composto por uma média de doze disciplinas que compõem três provas de sessenta questões cada. Português, contabilidade e os direitos: administrativo, constitucional e tributário são as disciplinas que possuem o maior número de questões, vinte questões cada. O problema é que nos concursos com muitas disciplinas, como o de AFRF, há uma tendência de os candidatos deixarem de estudar o Português a fim de “ganharem” tempo estudando as demais disciplinas, esta prática gera uma perda inimaginável pelos candidatos até o resultado do concurso, quando eles têm resultados inferiores às suas expectativas, uns são reprovados em Português, outros não conseguem interpretar algumas questões de direito e das demais disciplinas.
Um bom conhecimento da Língua Portuguesa Padrão é um diferencial para quem deseja prestar concurso em qualquer área, atenção, Português Padrão é o que está registrado nas gramáticas tradicionais e que algumas vezes parece distante do Português que faz parte do nosso dia dia-a-dia, do que comumente lemos em jornais, revistas e livros. Algumas bancas utilizam questões que abordam exceções, especificidades e regras que caíram em desuso a fim de confundir os candidatos, por sorte o número de bancas que continuam agindo desta forma vêm diminuindo sensivelmente.
Para obter sucesso num concurso público, o estudo da Língua Portuguesa deve ser paralelo ao estudo das demais disciplinas, deve ser feito de modo sistematizado e deve, principalmente, buscar a solução de questões presentes em concursos anteriores, de igual nível de escolaridade e que tenham sido elaboradas pela mesma banca.
Conhecer a banca que será responsável pela elaboração das provas de um determinado concurso é fundamental para o sucesso do candidato, não apenas em Língua Portuguesa, mas em todas as disciplinas, visto que cada banca possui um perfil, um modo peculiar de abordar os mais diversos assuntos.
Estude ordenadamente todas as disciplinas que estarão presentes em seu concurso, mantenha o Português paralelo às demais. Nunca se esqueça que o conhecimento da Língua Portuguesa Padrão certamente lhe será útil em diversos momentos da sua vida profissional e/ou pessoal, pois a necessidade de conhecer os recursos da Língua está inserida num contexto muito maior que Concursos Públicos.
Boa Sorte!


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