Como falar de educação num país onde
há fome, onde pessoas morrem nas filas dos hospitais,
onde as políticas públicas são vergonhosas?
Neste país é necessário muito mais
que falar de educação. É preciso
que ela seja efetivamente reconhecida como direito de
todos e dever do Estado, deixando de ser apenas um discurso
político dos períodos eleitorais. É
fundamental que a educação seja discutida
e disseminada enquanto programa de ação,
como solução dos nossos grandes problemas
sociais. A educação é o caminho para
o desenvolvimento social, econômico e tecnológico
de uma nação, somente através dela
é possível construir uma sociedade livre,
justa e solidária; promover o bem de todos e garantir
a soberania nacional.
Os problemas do país crescem, a população
aumenta, as diferenças sociais se acentuam e, sabendo-se
que educar é investir, que educar hoje é
começar a matar a fome daqui há dez, vinte,
trinta anos, não há interesse em fazer esse
tipo de investimento, haja vista a probabilidade de o
grande investidor não estar mais em posição
para ser reverenciado pelos resultados de tal investida.
A educação nunca teve uma posição
prioritária no Brasil, todavia, hoje, ela já
começa a ser reconhecida como caminho para o desenvolvimento.
Caminho que passa pela valorização da cultura
brasileira, formada por contribuições que
lhe conferem um caráter híbrido; pelo respeito
aos saberes diversos do seu povo; pela redução
das desigualdades sociais; pelas produções
científicas e tecnológicas e, sobretudo,
pelo ato de imbuir o povo de valores humanistas e democráticos.
No Brasil, diz-se que a educação é
importante, reconhece-se a sua necessidade, mas não
sua essencialidade, ela precisa deixar seu posto de importante,
torna-se, pois, imperativo que ela receba a rubrica de
prioritária, assumindo seu caráter de pilar
da construção social.
É preciso matar a fome de comida, mas é
indispensável gerar a fome do conhecimento, pois
esta certamente aniquilará aquela. A educação
não é um fim, não resolve problemas,
ela é o caminho para a solução deles
e é com ela que são formadas as competências
individuais e coletivas capazes de minimizar as dificuldades
presentes e as que o futuro nos delineia. O investimento
no âmbito educacional torna-se medida prioritária,
no sentido de se tentar evitar um caos num futuro próximo.
Urge, portanto, que a educação
deixe de ser vista como um caminho e passe a ser percebida,
por todos e com amplitude de sentidos, como o caminho.
Caminho, que vai além das liberdades individuais,
o caminho para a libertação de uma nação.
Um modelo social representado por uma sociedade mais justa,
com possibilidades de inclusão para todos indistintamente,
passa necessariamente pela educação e esta
deve sair do universo onírico ou do oportunismo
de discursos vazios, ela deve ser reconhecida como prioridade
e único meio capaz de transformar nossa sociedade.
Para isto, é preciso deixar de discursar sobre
a educação e construí-la efetivamente.
Voltar
para artigos anteriores
|