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 Educação: O Caminho...

Por: Roberta Binatti


Como falar de educação num país onde há fome, onde pessoas morrem nas filas dos hospitais, onde as políticas públicas são vergonhosas?
Neste país é necessário muito mais que falar de educação. É preciso que ela seja efetivamente reconhecida como direito de todos e dever do Estado, deixando de ser apenas um discurso político dos períodos eleitorais. É fundamental que a educação seja discutida e disseminada enquanto programa de ação, como solução dos nossos grandes problemas sociais. A educação é o caminho para o desenvolvimento social, econômico e tecnológico de uma nação, somente através dela é possível construir uma sociedade livre, justa e solidária; promover o bem de todos e garantir a soberania nacional.
Os problemas do país crescem, a população aumenta, as diferenças sociais se acentuam e, sabendo-se que educar é investir, que educar hoje é começar a matar a fome daqui há dez, vinte, trinta anos, não há interesse em fazer esse tipo de investimento, haja vista a probabilidade de o grande investidor não estar mais em posição para ser reverenciado pelos resultados de tal investida.
A educação nunca teve uma posição prioritária no Brasil, todavia, hoje, ela já começa a ser reconhecida como caminho para o desenvolvimento. Caminho que passa pela valorização da cultura brasileira, formada por contribuições que lhe conferem um caráter híbrido; pelo respeito aos saberes diversos do seu povo; pela redução das desigualdades sociais; pelas produções científicas e tecnológicas e, sobretudo, pelo ato de imbuir o povo de valores humanistas e democráticos.
No Brasil, diz-se que a educação é importante, reconhece-se a sua necessidade, mas não sua essencialidade, ela precisa deixar seu posto de importante, torna-se, pois, imperativo que ela receba a rubrica de prioritária, assumindo seu caráter de pilar da construção social.
É preciso matar a fome de comida, mas é indispensável gerar a fome do conhecimento, pois esta certamente aniquilará aquela. A educação não é um fim, não resolve problemas, ela é o caminho para a solução deles e é com ela que são formadas as competências individuais e coletivas capazes de minimizar as dificuldades presentes e as que o futuro nos delineia. O investimento no âmbito educacional torna-se medida prioritária, no sentido de se tentar evitar um caos num futuro próximo.
Urge, portanto, que a educação deixe de ser vista como um caminho e passe a ser percebida, por todos e com amplitude de sentidos, como o caminho. Caminho, que vai além das liberdades individuais, o caminho para a libertação de uma nação.
Um modelo social representado por uma sociedade mais justa, com possibilidades de inclusão para todos indistintamente, passa necessariamente pela educação e esta deve sair do universo onírico ou do oportunismo de discursos vazios, ela deve ser reconhecida como prioridade e único meio capaz de transformar nossa sociedade. Para isto, é preciso deixar de discursar sobre a educação e construí-la efetivamente.


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