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Trabalho e educação

Por: Zulma Maria Firmes Peixoto


Vivemos numa época de importantes reformas na educação brasileira e de necessárias investigações, reflexões e pesquisas nas diversas áreas de atuação dos professores, tornando-se assim cada vez mais necessário o despertar da consciência desses profissionais, pois inúmeros serão os desafios que terão de enfrentar no contexto das transformações e dos acontecimentos do mundo atual, que acabam afetando a educação escolar de várias maneiras.

A educação tem por finalidade desenvolver, em cada indivíduo, toda a “perfeição” de que ele seja capaz. Sendo assim, podemos considerar que o educador, consciente das suas funções e responsabilidades – compatíveis com os interesses, necessidades e valores peculiares relacionados à ação de planejar, racionalizar o uso de recursos, coordenar e avaliar o trabalho dos docentes – ao tomar as suas decisões estará, sempre, agindo consciente das suas ações.

Juntando-se a tudo isso, somam-se as diretrizes políticas da educação em relação à sociedade e à formação dos alunos.

Diante destas inovações surgem alguns questionamentos quanto às políticas públicas de educação. Deve-se pensar como está sendo preparado o profissional da educação, se há necessidades de adequações dos profissionais que estão sendo postos no mercado de trabalho, se eles estão aptos a atuar no mercado, conforme as exigências do mesmo. O profissional de educação deverá estar qualificado, conhecendo as novas tecnologias, bem como as capacitações ou qualificações que estão sendo desenvolvidas em todas as instituições privilegiadas.

O conceito de educação não pode ser específico e, sim, amplo, pois a educação ocorre em vários lugares, institucionalizados ou não, sob várias modalidades. Todavia, os problemas e dilemas continuam, persistem velhos preconceitos, mantém-se o apego a teses ultrapassadas, às vezes com o frágil argumento de que são conquistas históricas. A conquista de hoje também será histórica amanhã.

Infelizmente, a administração educacional ainda não disponibilizou recursos suficientes para que possamos obter uma demanda educacional satisfatória, mantendo assim a administração e a organização do sistema educacional. Mais uma vez frisamos que o professor deve ter o domínio do conteúdo da sua disciplina, não se esquecendo dos temas transversais que, muitas vezes, estão fora de sua área de atuação.

O que se espera da escola dos tempos atuais, é que a mesma se construa organizando um lugar destinado a aprendizagem, rico em recursos, no qual o aluno possa construir seus conhecimentos segundos estilos individuais de aprendizagem, propiciando atividades pedagógicas inovadoras, que desenvolvam a capacidade desse aluno pensar e se expressar com clareza, solucionar os problemas e tomar decisões com responsabilidade, levando-se em consideração que se trata de um ser complexo.

Quando se fala na qualidade da educação, está-se pensando como resultado de todo um processo da aprendizagem dos sujeitos envolvidos. Essa aprendizagem resulta do desenvolvimento dos objetivos propostos, almejando a construção da cidadania. Assim, podemos dizer que a qualidade tão desejada é uma qualidade social, pois ela só será conquistada a partir do comprometimento de todo o conjunto dos processos e, como o capitalismo está se tornando cada vez mais exigente, buscando profissionais mais competentes.

Destarte, e não obstante tímidas iniciativas na área, observa-se que os governos não investem o suficiente e nem de maneira séria na educação, incluindo-se aí a preparação, a atualização e a reciclagem dos professores e demais profissionais envolvidos no processo. O profissional é mal remunerado, mal preparado e pouco valorizado e, sendo assim, não se sente motivado e nem responsável pela qualidade da educação que está ministrando aos seus educandos, esquecendo-se também que, na realidade, os alunos de hoje são os cidadãos de amanhã. Disso tudo emergem profissionais desqualificados, principal razão para a situação caótica em que se encontra a educação no nosso país. Todo profissional, seja ele qual for, salvo raríssimas exceções, tem que passar pela mão do professor. Não adianta investir em programas sociais ligados à educação, e em outros programas correlatos, se não se possui uma política séria de investimento e qualificação dos nossos educadores que, na realidade, são os responsáveis pela inserção dos cidadãos, de forma adequada, na sociedade onde vivem. Se não temos uma educação de qualidade, se não investimos nos nossos educadores, como vamos ter cidadãos de qualidade? Todo ser humano, independentemente de sua classe social, tem direito a um ensino de qualidade. Recebendo uma educação de qualidade, é óbvio que cada um terá maiores oportunidades no mercado de trabalho, a sociedade será melhor e mais produtiva, enfim, todos serão beneficiados. Uma sociedade sem educação e sem qualificação produz um país com as mesmas características, condenando os seus cidadãos ao subdesenvolvimento.

Zulma Maria Firmes Peixoto é graduada em Pedagogia com Habilitação em Gestão pela UNIRB, membro pesquisadora do Núcleo de Investigações Avançadas da Consciência (NIAC) vinculado ao programa de Mestrado Profissional Multidisciplinar em Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social do Centro de pós-graduação e Pesquisa da Faculdade Visconde de Cairu – Salvador/BA.

 

 

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