Em
qualquer escola, sempre existiu aquele aluno que vira
o centro das atenções pelos piores motivos.
Só por ser gordinho, ou muito estudioso, ou muito
tímido, ou por ter um nariz meio grande, ganhava
apelidos pejorativos, tomava lanche sozinho, era perseguido
na saída. Agora, as brincadeiras de mau gosto
ganharam novas proporções. Às vezes,
exageradas. Em vez de recreio e saída, os xingamentos
podem vir a qualquer hora, por mensagem de celular,
emails destinados a dezenas de colegas e até
páginas de internet dedicadas ao coitado. Fotos
digitais adulteradas são usadas para denegrir
sua imagem, e mesmo a distância o efeito é
instantâneo: em pouco tempo sabe-se lá
quantos internautas já terão visto e repassado
a ofensa? Isso é o chamado cyberbullying, uma
das principais preocupações atuais de
quem estuda o comportamento dos jovens na internet.
Principalmente pela dificuldade que a vítima
tem de se defender.
Há cerca de três
anos, no Instituto Educacional Stagium, em Diadema (SP),
uma aluna com autismo foi provocada de propósito
por algumas colegas do 7º ano para que aparecesse
"surtando" num vídeo. O vídeo,
feito com uma câmera fotográfica (proibida
na escola), foi publicado num blog dedicado a falar
mal dela. Quando a direção da escola ficou
sabendo, já tinha dado tempo de a classe inteira
assistir ao vídeo na internet. A solução
foi chamar os pais dos envolvidos para definir como
os culpados seriam repreendidos. “A escola não
poderia ficar isenta”, afirma a diretora, Sônia
Costa Pereira. No fim, os alunos reconheceram o erro
e se retrataram publicamente, usando o mesmo blog em
que tinham publicado a ofensa. E ainda se engajaram,
por sugestão da escola, em uma ação
social no município, como medida socioeducativa.
César Munhoz,
do Portal Educacional, afirma que novos meios de cometer
assédio pela internet são descobertos
a toda hora. Uma das modas é criar perfil falso
no Orkut usando o nome e a foto de algum colega. Basta
copiar a foto do perfil verdadeiro e colar num outro
perfil, usando algumas informações verdadeiras
para dar credibilidade, e fazer o diabo em nome dessa
pessoa. A "diversão" é acrescentar
dados falsos que denigram a imagem do colega e usar
o perfil dele para atacar publicamente outras pessoas
da turma. Assim, várias vítimas são
feitas ao mesmo tempo: os alvos das ofensas e seu suposto
autor, que leva a culpa no lugar dos falsários.
Quando a ofensa constitui crime, pode ser denunciada
ao denunciar.org. As escolas têm poder limitado
para interferir, pois não podem impor restrições
ao que é feito do lado de fora de seus portões.
Mas, como normalmente o bullying envolve colegas de
classe, é fundamental que a escola participe
da discussão. Trazer a questão para os
estudantes analisarem juntos é uma forma de eles
entenderem por que é que brincadeira tem limite.
Segundo Andréa Jotta, da PUC, o serviço
tem recebido muitos e-mails sobre esse tema. A principal
dica para se livrar da perseguição é
que a vítima não se isole. "Quando
ela se fortalece, o bullying perde a graça”.
Como agir se
seu filho for atacado virtualmente por colegas
Conforte a criança. Mostre que ela tem a quem
recorrer quando se sentir sem defesas. Encontrar aliados
dentro da turma costuma fortalecer a vítima.
Procure a escola a fim de encontrar soluções
e medidas preventivas que possam ser adotadas também
dentro de casa.
Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI26648-15259,00-CIBERBULLYING+QUANDO+A+CRIANCA+E+O+AGRESSOR.html
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