Estimular e compreender
a diversidade presente em nossa sociedade é um
grande desafio que se faz presente, principalmente na
educação. Nesse contexto, nós educadores,
temos a tarefa de mostrar no ambiente escolar as contribuições
positivas que os alunos com necessidades especiais podem
trazer, envolvendo toda a comunidade escolar e estimulando
o debate para a construção de uma escola
realmente para todos.
Ao se questionar a educação
e a sua aplicabilidade, o papel do docente face às
transformações sociais e principalmente,
a real necessidade da consciência do educador
na sua ação docente, propõe-se
a estabelecer mudanças significativas no que
diz respeito a conceitos pré-estabelecidos sobre
a deficiência que, durante muito tempo, esteve
atrelada à simbologia de indivíduos incapazes
e sem representação social – tendo
seu poder de decisão transferido a outros.
Redefinir um modelo social para a plena
aceitação e absorção dos
diferentes tipos de deficiência se faz urgente.
Muitos grupos considerados minoritários já
se engajam para promover essa transformação,
que se dará principalmente por intermédio
da escola e com a participação do professor
e da sociedade. Temos um espaço público
real e outro projetado, em implantação,
que pode se tornar real, mas para isso, ainda temos
longo caminho a percorrer. Para tanto, é necessária
a ampliação do debate e a conscientização
dos órgãos públicos no sentido
de transformar o projeto em reais políticas públicas
de inclusão.
Muito freqüentemente, as diferenças
entre as pessoas são vistas como um problema.
Em relação aos ajustes educacionais, são
dificuldades que necessitam ser trabalhadas, melhoradas
ou as pessoas envolvidas precisam estar “prontas”
(homogeneizadas) para se encaixarem em uma determinada
situação social. Como podemos transformar,
deliberadamente, as diferenças de classes sociais,
gêneros, idades, habilidades, raças e interesses
distintos em recursos positivos para serem usados na
educação?
As diferenças oferecem uma grande
oportunidade para o aprendizado, oferecendo recursos
livres, abundantes e renováveis. A diversidade,
em suas múltiplas formas, é celebrada
em instituições de ensino com características
inclusivas. As oportunidades de se capitalizar os benefícios
da diversidade não devem somente ser focalizadas
nos alunos. As diferenças encontradas dentro
das equipes de funcionários da escola, no tocante
aos seus vários “berços” (as
suas origens), características e experiências,
devem ser incentivadas, procuradas, evidenciadas e avaliadas.
Esses recursos, inerentes à diversidade humana,
não devem ser negligenciados.
Essa negligência, neste caso,
pode ser um grande inconveniente, pois vai acabar impactando
negativamente no trabalho das pessoas engajadas em promover
valores e oportunidades para todos. Para o trabalho
ser bem sucedido, as diferenças devem ser reconhecidas
como um recurso positivo, pois somente assim estaríamos
requerendo a mudança dos paradigmas que ainda
estão longe dessa percepção.
Vale lembrar que as percepções
que as pessoas constroem de si e dos outros resultam,
em grande parte, de um complexo histórico, onde
a cultura imprime as suas marcas em cada indivíduo,
ditando normas e fixando ideais, de forma que a nossa
singularidade acaba por revelar a história acumulada
de uma sociedade.
Essas percepções interferem
na expectativa que os educadores formam a respeito de
alunos com deficiências e podem introjetar-se
nos próprios alunos, obstaculizando sua aprendizagem
e participação tanto no contexto escolar
como também na sociedade onde está inserido.
É preciso que se promova a ruptura
do processo de reprodução das estruturas
excludentes que nos cercam e, de certa forma, nos sufocam
de preconceitos cristalizados. Para reconhecer e assumir
a diversidade há de se redimensionar o olhar,
desalojando o instituído. Olhar a diferença
no sentido de perceber que ela rotula, marca, discrimina,
é tão importante quanto olhar para além
da diferença, não permitindo que ela se
coloque como poderosa força de exclusão.
Que possamos fazer parte do grupo de
pessoas preocupadas em combater a lógica da cultura
do preconceito, que desejam a ruptura dos processos
de reprodução ideológica, a desconstrução
das verdades instituídas e o desafio de lutar
por uma sociedade e uma escola melhor para todos.
Zulma Maria Firmes
Peixoto é pedagoga com Habilitação
em Gestão e Membro atuante do NIAC - Núcleo
de Iniciação Avançada da Consciência
sob a coordenação da Dra. Maribel Barreto,
dona da disciplina de Conscienciologia, única
no Brasil.
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