Já garantimos
ao menos um vice-campeonato na Copa do Mundo de 2006,
na Alemanha. Graças à inédita participação
de Angola, que eliminou a favorita Nigéria nas
eliminatórias africanas, os países classificados
que têm o português como idioma oficial somam
aproximadamente 205,9 milhões de habitantes. O
acréscimo da população angolana (cerca
de 13,9 milhões) foi o bastante para ultrapassar
os países de idioma espanhol presentes na Copa,
que totalizam por volta de 202,7 milhões. Idioma
extra-oficial do planeta, o inglês ocupa o primeiro
lugar do ranking, com larga vantagem sobre o português.
A Fédération Internacionale de Football
Association (Fifa), entidade máxima do futebol
no planeta e organizadora da Copa, não dá
muita bola para essas estatísticas: os idiomas
oficiais da competição, utilizados em seu
web site, são alemão, francês, inglês
e espanhol. Mais equânime em suas decisões
lingüísticas é a Union of European
Football Associations (Uefa), responsável pelo
milionário futebol europeu, que mantém um
web site com informações em nove idiomas
– entre eles, o português. Não é
por falta de exemplo, portanto, que a Fifa prefere economizar
com tradutores.
A adoção do mesmo idioma não garante
vocabulário comum. Entre os países de língua
inglesa, por exemplo, nem mesmo o nome do esporte foge
da discórdia: enquanto os ingleses – inventores
do jogo, se consideradas suas atuais características
– usam o termo football (“pé na bola”),
do qual vem a nossa palavra futebol, os americanos adotaram
soccer (derivado de socca, por sua vez abreviação
de Association Football, entidade criada em 1863, em Londres,
com o objetivo de tornar homogêneas as regras) para
evitar confusão com o seu próprio football
– que, no Brasil, chamamos de futebol americano.
No Brasil e em Portugal (do qual Angola tomou emprestado
seu vocabulário futebolístico), não
há divergência tão profunda, mas torcedores
brasileiros precisariam de um pequeno glossário
para entender o que portugueses e angolanos estão
falando (veja quadro abaixo). Diversos termos portugueses,
como guarda-redes (goleiro), foram utilizados durante
muito tempo no Brasil e, hoje, caíram em desuso.
Dois vocabulários
para um só esporte
| BRASIL |
PORTUGAL |
| Ao vivo |
Em directo |
| Arquibancada |
Bancada |
| Atacante |
Avançado |
| Ataque |
Linha adiantada |
| Camisa |
Camisola |
| Campeonato |
Prova |
| Campo |
Relvado |
| Centroavante |
Avançado centro |
| Chute a gol |
Remate |
Chuteira |
Bota |
| Escanteio |
Pontapé (ou chute) de canto |
| Gol |
Golo ou tento |
| Goleiro |
Guarda-redes |
| Ingresso |
Bilhete |
| Jogo fora (de casa) |
Deslocação ou fora
de portas |
| Lanterna |
Lanterna vermelha |
| Meia |
Médio |
| Meio-de-campo |
Linha média |
| Rodada |
Jornada ou ronda |
Rubro |
Encarnado |
| Substituição |
Reposição |
| Técnico da seleção |
Seleccionador |
| Temporada |
Época |
| Torcedor |
Adepto |
| Torcida |
Claque |
| Treinamento |
Sessão de treino |
| Vestiário |
Balneário |
| Zagueiro-central |
Defesa-central |
Fonte: Revista "Língua". Ano I, nº
3, 2005, p.22-23.
Voltar
para artigos anteriores
|