A escola é uma
organização que exerce um papel imprescindível
em nossa sociedade, ela é responsável
por muito mais que a pura e simples transmissão
do saber, ela tem o dever de contribuir para a transformação
social e, concorrer para o desenvolvimento da consciência
crítica de sua clientela.
A escola é uma instituição prestadora
de serviços que lida diretamente com o elemento
humano. Segundo Vitor Paro:
Aí, o aluno,
não é apenas o beneficiário dos
serviços que ela presta, mas também participante
de sua elaboração. É evidente que
essa matéria-prima peculiar, que é o aluno,
deve receber, um tratamento todo especial, bastante
diverso do que recebem os elementos materiais que participam
do processo de produção, no interior de
uma empresa industrial qualquer. [...] (PARO, 2005,
p.126)
A postura empresarial
assumida por uma instituição de ensino
auxilia-a a se libertar de esquemas que não suportam
mais as tensões e assumirem a necessidade de
se transformar. Apesar das inevitáveis transformações,
a escola precisa preservar sua missão, o seu
caráter, os seus valores. Pestana (2003) “Uma
escola moderna não precisa abdicar do seu rosto,
da sua identidade”.
Para que uma escola sobreviva num mercado cada vez mais
exigente e competitivo como o existente nos dias atuais,
de acordo com André Pestana:
[...] É fundamental
que o corpo diretor da escola (empresa) entenda que
os seus alunos (clientes) representam a razão
da existência da sua escola, que o seu maior patrimônio
são funcionários e professores. E principalmente,
na condição de prestadores de serviços,
precisam investir continuamente em recursos humanos,
científicos e tecnológicos. Nenhuma organização,
seja ela política ou econômica, pode fechar
os olhos a essas mudanças. A empresa de hoje
não se limita mais ao seu tamanho físico
ou poder econômico. A estrutura jurídica
que quiser ultrapassar os próximos dez anos deve
estar comprometida com a sua rua, o seu bairro, a sua
cidade, o seu país. (PESTANA, 2003 p.22)
Por muito tempo, a escola
esteve presa a modelos administrativos reprodutórios.
As salas de aula eram idênticas, os pátios,
a cantina, os banheiros e o autoritarismo de professores
e diretores formavam um ambiente que se acreditava ser
o ideal de uma escola. Mas o mundo mudou, e a sociedade
apresenta-se como um organismo em constante mutação,
com isso, a consciência coletiva em relação
a um modelo ideal de escola também mudou e hoje
se encontra de modo bastante diversificado.
Enquanto empresa, a escola precisa atender aos interesses
de uma política que prioriza as demandas do mercado,
no qual a modernidade educacional está atrelada
ao universo do mundo do trabalho. Surgem, então,
propostas que fortalecem as práticas interativas
e participativas no interior da escola, acirrando-se
o discurso em torno de questões como descentralização,
participação e autonomia.
A sociedade contemporânea é cada vez mais
dinâmica, competitiva e veloz, a informação
é instantânea, a globalização
está fazendo com que as fronteiras econômicas,
políticas, culturais, sociais, científicas
e tecnológicas desapareçam.
O aluno de hoje não
aceita mais a simples condição de expectador,
de mero receptor do conhecimento alheio, ele tem buscado
participar de modo cada vez ativo do processo educacional.
Ele cobra o respeito à sua individualidade, opina
sobre o que fazer ou que profissão seguir, questiona
o poder estabelecido e atua claramente em defesa daquilo
que acredita ser sua verdade.
A empresa-escola precisa manter suas portas abertas
à sociedade na qual está inserida, deve
ser um exemplo do exercício da cidadania, precisa
inserir-se nas campanhas sociais da sua comunidade e
incentivar o diálogo entre alunos, professores,
diretores e funcionários em geral dentro da própria
instituição.
O grande desafio do sistema educacional, nos dias de
hoje, é o tratamento da escola como uma empresa
prestadora de serviço. A escola é uma
empresa prestadora de serviço educacional que
pode ser pública ou privada. Cabe ao Estado a
oferta de um serviço de qualidade que atenda
a população de uma maneira geral, sobretudo
os mais necessitados, ficando, então, à
iniciativa privada àqueles que tem condições
de pagar e que estejam a procura de opções
diferenciadas.
O caos em que se encontra a realidade da escola pública
no Brasil fez com que as instituições
privadas ganhassem força, com um crescimento
desordenado, estas instituições muitas
vezes não possuem a qualidade desejada por seus
alunos, pais e sociedade.
O descaso do governo com a escola pública gera
um aumento da demanda pela escola particular, com isso,
surge a concorrência entre as escolas particulares,
onde estas para sobreviverem precisam se transformar
em organizações complexas e bem administradas,
isto é, empresas.
O aluno é o beneficiário imediato do processo
de produção pedagógica, portanto,
é possível afirmar que o trabalho de prestação
de serviços, que ocorre nas escolas, é
caracterizado pela presença permanente do seu
principal consumidor, o aluno, no ato de produção.
A aula não é o único produto da
educação escolar, embora seja efetivamente
a aula que se acredita remunerar quando se compra a
educação. A aula, porém, é
apenas uma atividade, um processo através do
qual se buscam determinados resultados. O fato de a
aula, importante, mas não único, instrumento
do processo de ensino-aprendizagem, pressupor a não-passividade
do aluno é um aspecto determinante da própria
natureza do processo pedagógico. Esse aspecto
é de grande importância na determinação
do produto da escola, pois é pela participação
ativa do aluno que se dá a aprendizagem deste.
Avaliar serviços é uma tarefa bem mais
complexa que avaliar produtos industrializados, avaliar,
então, o desempenho de uma instituição
de ensino enquanto produto consumido individualmente
é uma tarefa ainda mais desafiadora, uma vez
que esta avaliação não deve considerar
tão-somente os benefícios que a pessoa
obtém com a educação, mas especialmente
a medida em que a educação formal pode
concorrer em benefício da própria sociedade.
Ao assumir o papel de empresa prestadora de serviços,
a escola, por meio do seu gestor terá de colher
informações que afetam direta ou indiretamente
a atividade escolar para que seja feito um planejamento
embasado em informações seguras. Os responsáveis
pela administração escolar devem conhecer,
entre outros: o perfil do seu consumidor, do seu público
alvo; a atuação dos seus diversos departamentos;
o comportamento da concorrência; a qualidade dos
serviços oferecidos; a interação
com alunos, pais, professores e comunidade na qual está
inserida; as tendências e expectativas do mercado
e; parâmetros para ações presentes
e planejamento para o futuro.
Não obstante
muitas escolas estarem percebendo cada vez mais a importância
de se reconhecerem enquanto empresas prestadoras de
serviços, o fato de a escola ser ou não
uma empresa ainda e bastante polêmico em nossa
sociedade, quanto a esta polêmica, André
Pestana:
[...] Continuamos
com aquela visão diletante e muito pouco empresarial.
A pretexto de discussões políticas e ideológicas,
ignoramos a inexorabilidade das transformações
em todos os segmentos humanos. Dessa forma, os meios
de comunicação entendem a escola somente
como um dever do Estado e ponto final. Ouso afirmar
que por falta de informação e de estruturação
por parte das escolas particulares a opinião
pública tem acesso somente a um lado da moeda
– a escola pública. Aonde estão
os nossos diretores que não se mexem na direção
de campanhas de esclarecimento junto à opinião
pública, explicando o imenso esforço demandado
pelas escolas particulares na construção
de uma sociedade mais competitiva, aberta e inserida
nessa nova ordem social mundial. É a mesma história
de sempre. O Estado não consegue fazer o dever
de casa e fica de coitadinho. Quando empreendedores
sérios se lançam na aventura de construir
escolas, fazem porque acreditam que podem contribuir
para o crescimento do país e de todos, e no entanto,
acabam transformados em vilões. (PESTANA, 2003,
p.46)
O reconhecimento da
escola enquanto empresa facilita sua organização
administrativa e faz com que aqueles que desejam desempenhar
o papel de diretor ou gestor se preparem adequadamente
para bem administrar a escola que pretendem dirigir.
Pois, ainda nos dias de hoje, encontramos nas escolas
uma cultura centralizadora, muito pouco participativa
e focada em resultados de curto prazo, nestas escolas,
normalmente é aquele que foi um excelente professor
quem assume a direção da instituição,
por falta de conhecimento administrativo este diretor
muitas vezes não é competente enquanto
gestor.
Para André Pestana, o grande erro que os administradores
escolares cometeram, foi o de não pensar a escola
como empresa:
A visão era
diletante, amadora ou simplesmente ortodoxa e baseada
no conceito de troca aula / aluno. Os resultados não
poderiam ser diferentes. Criamos dois grupos dentro
da mesma escola (empresa). O grupo administrativo (secundário)
e o grupo pedagógico (principal). A partir da
formação desses dois times com níveis
de importância diferentes ficou configurado que
a canoa iria ter dois grupos e cada grupo remaria para
um lado. Depois de várias tentativas, ainda não
saímos do lugar. (PESTANA, 2003, p.92)
A sustentabilidade de
uma escola depende diretamente das estratégias
do marketing educacional, que tem a função
de orientar as instituições de ensino
no planejamento estratégico, na busca de um caminho
menos turbulento para o futuro, tendo em vista o ambiente
competitivo, diversificado e dinâmico no qual
estamos inseridos, mas sempre respeitando as características
do serviço a ser prestado, a educação.
A escola é uma empresa feita por e para pessoas,
é um organismo vivo, dinâmico e em permanente
transformação. Ela é um importante
instrumento que pode e deve ser utilizado na busca de
uma transformação social, por isso, ao
assumir sua posição de empresa prestadora
de serviços, a escola não pode se entregar
aos interesses das classes dominantes, beneficiando
e enaltecendo os interesses do mercado e de uma ideologia
específica, em detrimento dos interesses humanos
e de suas múltiplas necessidades.
BIBLIOGRAFIA
PARO, Vitor Henrique. Administração
escolar: introdução crítica. 13.
ed. São Paulo: Cortez, 2005.
PESTANA, André. Gestão
e educação: uma empresa chamada escola.
Petrópolis, RJ: Catedral das letras, 2003.
Roberta
Binatti é graduada em Administração
de Empresas pela Faculdade Moraes Júnior e pós-graduada
em Administração Escolar pela Universidade
Cândido Mendes / Instituto a Vez do Mestre.
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