A
administração encontra na organização
seu próprio objeto de estudo. Neste contexto,
encontra-se a escola que, como qualquer outra instituição,
precisa ser administrada, e tem na figura de seu diretor
o responsável último pelas ações
aí desenvolvidas.
A administração escolar é, indubitavelmente,
um dos modelos de administração influenciado
diretamente pelo modelo de administração
de empresas. Esta influência nem sempre é
bem recebida pelos educadores, e pela sociedade em geral,
pois para eles a escola como empresa é um tratamento
mercantilista da educação, derivado de
uma sociedade capitalista.
Todavia, atualmente é imprescindível que
os profissionais da educação tornem-se
cada vez mais conscientes da necessidade da prática
administrativa, de modo que a administração
das instituições de ensino passe do nível
de uma administração espontânea
para o de uma administração reflexiva.
Apesar da inegável influência da administração
de empresas na administração escolar,
estas não possuem uma identidade absoluta, ambas
portam características específicas. As
empresas em geral visam à produção
de um bem material tangível ou de um serviço
determinado, imediatamente identificáveis e facilmente
avaliáveis, enquanto as escolas visam um fim
que é de difícil identificação
e mensuração.
Tanto a teoria como a prática da administração
escolar devem estar comprometidas com a transformação
social. A administração escolar tem a
função de evitar que a escola desempenhe
função semelhante àquela exercida
pela empresa capitalista em seu papel de servir à
exploração de uma minoria sobre os demais.
Urge que a administração escolar seja
percebida como uma proposta de administração
democrática para as instituições
escolares, atendendo os interesses da sociedade como
um todo e cada vez mais comprometida com a transformação
social através da distribuição
do saber historicamente acumulado e do desenvolvimento
da consciência crítica da realidade.
A fim de contribuir efetivamente para a transformação
social, os objetivos, metas e fins propostos devem ter
caráter transformador e ao mesmo tempo serem
automotivadores, eles não podem ser uma simples
aspiração formal de uma visão.
É indispensável que a atividade administrativa
seja eficiente e eficaz na realização
das propostas transformadoras. Uma administração
escolar verdadeiramente revolucionária precisa
ser pautada numa práxis reflexiva.
Para que a administração de uma escola
seja verdadeiramente democrática é preciso
que todos que estão direta ou indiretamente envolvidos
no processo escolar possam participar das decisões
que dizem respeito à organização
e funcionamento da escola. As administrações
devem abandonar seus modelos tradicionais de concentração
da autoridade nas mãos de uma só pessoa
– o diretor, que se constitui, assim, como responsável
último por tudo o que acontece na unidade escolar
– e evoluir para formas coletivas que propiciem
a distribuição de maneira adequada a atingir
seus objetivos. Numa administração democrática,
todos os setores envolvidos no processo precisam ser
considerados.
A coordenação do esforço de funcionários,
professores, pessoal técnico-pedagógico,
alunos e pais, fundamentada na participação
coletiva, é de extrema relevância na instalação
de uma administração democrática
no interior da escola. É através dela
que são fornecidas as melhores condições
para que os diversos setores participem efetivamente
da tomada de decisões, já que estas não
se concentram mais nas mãos de uma única
pessoa, mas na de grupos ou equipes representativas
de todos. É necessário, entretanto, que
essa representação seja realmente autêntica
e que estejam sempre funcionando adequadamente os mecanismos
mais eficientes de expressão das idéias
e de intercâmbio de informações.
Roberta Binatti
é graduada em Administração
de Empresas pela Faculdade Moraes Júnior e pós-graduada
em Administração Escolar pela Universidade
Cândido Mendes / Instituto a Vez do Mestre.
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