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Administração Escolar: Um desafio Educacional


Por: Roberta Binatti


A administração encontra na organização seu próprio objeto de estudo. Neste contexto, encontra-se a escola que, como qualquer outra instituição, precisa ser administrada, e tem na figura de seu diretor o responsável último pelas ações aí desenvolvidas.
A administração escolar é, indubitavelmente, um dos modelos de administração influenciado diretamente pelo modelo de administração de empresas. Esta influência nem sempre é bem recebida pelos educadores, e pela sociedade em geral, pois para eles a escola como empresa é um tratamento mercantilista da educação, derivado de uma sociedade capitalista.
Todavia, atualmente é imprescindível que os profissionais da educação tornem-se cada vez mais conscientes da necessidade da prática administrativa, de modo que a administração das instituições de ensino passe do nível de uma administração espontânea para o de uma administração reflexiva.
Apesar da inegável influência da administração de empresas na administração escolar, estas não possuem uma identidade absoluta, ambas portam características específicas. As empresas em geral visam à produção de um bem material tangível ou de um serviço determinado, imediatamente identificáveis e facilmente avaliáveis, enquanto as escolas visam um fim que é de difícil identificação e mensuração.
Tanto a teoria como a prática da administração escolar devem estar comprometidas com a transformação social. A administração escolar tem a função de evitar que a escola desempenhe função semelhante àquela exercida pela empresa capitalista em seu papel de servir à exploração de uma minoria sobre os demais.
Urge que a administração escolar seja percebida como uma proposta de administração democrática para as instituições escolares, atendendo os interesses da sociedade como um todo e cada vez mais comprometida com a transformação social através da distribuição do saber historicamente acumulado e do desenvolvimento da consciência crítica da realidade.
A fim de contribuir efetivamente para a transformação social, os objetivos, metas e fins propostos devem ter caráter transformador e ao mesmo tempo serem automotivadores, eles não podem ser uma simples aspiração formal de uma visão. É indispensável que a atividade administrativa seja eficiente e eficaz na realização das propostas transformadoras. Uma administração escolar verdadeiramente revolucionária precisa ser pautada numa práxis reflexiva.
Para que a administração de uma escola seja verdadeiramente democrática é preciso que todos que estão direta ou indiretamente envolvidos no processo escolar possam participar das decisões que dizem respeito à organização e funcionamento da escola. As administrações devem abandonar seus modelos tradicionais de concentração da autoridade nas mãos de uma só pessoa – o diretor, que se constitui, assim, como responsável último por tudo o que acontece na unidade escolar – e evoluir para formas coletivas que propiciem a distribuição de maneira adequada a atingir seus objetivos. Numa administração democrática, todos os setores envolvidos no processo precisam ser considerados.
A coordenação do esforço de funcionários, professores, pessoal técnico-pedagógico, alunos e pais, fundamentada na participação coletiva, é de extrema relevância na instalação de uma administração democrática no interior da escola. É através dela que são fornecidas as melhores condições para que os diversos setores participem efetivamente da tomada de decisões, já que estas não se concentram mais nas mãos de uma única pessoa, mas na de grupos ou equipes representativas de todos. É necessário, entretanto, que essa representação seja realmente autêntica e que estejam sempre funcionando adequadamente os mecanismos mais eficientes de expressão das idéias e de intercâmbio de informações.

 

Roberta Binatti é graduada em Administração de Empresas pela Faculdade Moraes Júnior e pós-graduada em Administração Escolar pela Universidade Cândido Mendes / Instituto a Vez do Mestre.

 

 

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