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Há quem defenda e há quem seja contra.
Mas é inegável: a presença de estrangeirismos
na língua portuguesa – assim como em qualquer
outro idioma – é uma realidade. Na verdade,
há alguns exageros no emprego de termos estrangeiros
em nosso idioma, mas também há aquelas
expressões que se encaixam tão bem que
acabam sendo consagradas pelo uso. “Vamos ao shopping?”
é uma frase típica: você, para “defender”
a língua portuguesa, traduziria shopping e falaria
“centro comercial”?
A origem da maior parte de nosso idioma é o latim,
devido à grande influência romana exercida
por muito tempo em regiões que abrangiam, dentre
outras localidades, Portugal. Porém, a língua
vai enriquecendo com a incorporação de
vocábulos de inúmeras outras línguas.
Até porque, não teríamos saído
das 40 mil palavras do século XVI para as 400
mil de hoje em dia (segundo o renomado filólogo
Antônio Houaiss).
Na verdade, a formação e o desenvolvimento
de um idioma é algo bastante complexo para resumirmos
em poucas linhas, já que há causas econômicas,
políticas, religiosas e sociais que influenciam
tanto na maneira de pensar de um povo quanto na expressão
falada. Como fomos colonizados por Portugal, é
natural que falemos o português como idioma oficial,
muito embora já exista bastante diferença
entre o nosso “brasileirês” e o português
d’Além Mar. Porém, observem que
muitas palavras incorporadas ao nosso idioma são
de origem indígena (abacaxi, aipim, tipóia,
arara) e africana (senzala, umbanda, cachaça,
moleque), devido à grande massa populacional
e trabalhadora do Brasil Colônia. O próprio
português de Portugal, que nasceu do latim, também
teve inúmeras influências lá na
Europa. É um processo natural, inevitável
e permanente essa incorporação de novas
palavras ao nosso idioma.
Fenômeno recente de estrangeirismo é aquele
causado pela incorporação de palavras
de uso da internet e da informática. Verbos novos
surgiram ou verbos já existentes ganharam outra
conotação: clicar e deletar vêm
do inglês e, principalmente, se remetem às
teclas do mouse e do teclado respectivamente; navegar
na internet é a nova adaptação
do verbo originariamente concebido para indicar viagens
à bordo de embarcações. E isso
é nocivo para o idioma pátrio? A resposta
é: sim e não. É nocivo utilizar-se
de palavras estrangeiras para nomear ação
ou algo para o qual já exista um vocábulo
específico na nossa língua; e não
é nocivo incorporar novas palavras que possam
traduzir aquilo que se quer dizer de maneira muito mais
exata do que a nossa própria língua é
capaz.
Então, não há como negar que o
idioma é dinâmico, como bem dizem os lingüistas.
Até porque, há modificações
dentro do idioma, mesmo sem a incorporação
de palavras oriundas de outras línguas. Do contrário,
estaríamos até hoje falando Vóis
Mecê em vez de você. O que devemos fazer
é valorizar nosso idioma sim, mas sem nos fecharmos
na idéia de que “não posso utilizar
determinada palavra porque é estrangeira, estou
desprezando o português”. Ou então,
comece a chamar as pessoas para ir com você ao
centro comercial da Barra da Tijuca para ver se elas
lhe entendem...
Flávio Henrique
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