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Os estrangeirismos e a dinâmica da língua



Por: Flávio Henrique


Há quem defenda e há quem seja contra. Mas é inegável: a presença de estrangeirismos na língua portuguesa – assim como em qualquer outro idioma – é uma realidade. Na verdade, há alguns exageros no emprego de termos estrangeiros em nosso idioma, mas também há aquelas expressões que se encaixam tão bem que acabam sendo consagradas pelo uso. “Vamos ao shopping?” é uma frase típica: você, para “defender” a língua portuguesa, traduziria shopping e falaria “centro comercial”?
A origem da maior parte de nosso idioma é o latim, devido à grande influência romana exercida por muito tempo em regiões que abrangiam, dentre outras localidades, Portugal. Porém, a língua vai enriquecendo com a incorporação de vocábulos de inúmeras outras línguas. Até porque, não teríamos saído das 40 mil palavras do século XVI para as 400 mil de hoje em dia (segundo o renomado filólogo Antônio Houaiss).
Na verdade, a formação e o desenvolvimento de um idioma é algo bastante complexo para resumirmos em poucas linhas, já que há causas econômicas, políticas, religiosas e sociais que influenciam tanto na maneira de pensar de um povo quanto na expressão falada. Como fomos colonizados por Portugal, é natural que falemos o português como idioma oficial, muito embora já exista bastante diferença entre o nosso “brasileirês” e o português d’Além Mar. Porém, observem que muitas palavras incorporadas ao nosso idioma são de origem indígena (abacaxi, aipim, tipóia, arara) e africana (senzala, umbanda, cachaça, moleque), devido à grande massa populacional e trabalhadora do Brasil Colônia. O próprio português de Portugal, que nasceu do latim, também teve inúmeras influências lá na Europa. É um processo natural, inevitável e permanente essa incorporação de novas palavras ao nosso idioma.
Fenômeno recente de estrangeirismo é aquele causado pela incorporação de palavras de uso da internet e da informática. Verbos novos surgiram ou verbos já existentes ganharam outra conotação: clicar e deletar vêm do inglês e, principalmente, se remetem às teclas do mouse e do teclado respectivamente; navegar na internet é a nova adaptação do verbo originariamente concebido para indicar viagens à bordo de embarcações. E isso é nocivo para o idioma pátrio? A resposta é: sim e não. É nocivo utilizar-se de palavras estrangeiras para nomear ação ou algo para o qual já exista um vocábulo específico na nossa língua; e não é nocivo incorporar novas palavras que possam traduzir aquilo que se quer dizer de maneira muito mais exata do que a nossa própria língua é capaz.
Então, não há como negar que o idioma é dinâmico, como bem dizem os lingüistas. Até porque, há modificações dentro do idioma, mesmo sem a incorporação de palavras oriundas de outras línguas. Do contrário, estaríamos até hoje falando Vóis Mecê em vez de você. O que devemos fazer é valorizar nosso idioma sim, mas sem nos fecharmos na idéia de que “não posso utilizar determinada palavra porque é estrangeira, estou desprezando o português”. Ou então, comece a chamar as pessoas para ir com você ao centro comercial da Barra da Tijuca para ver se elas lhe entendem...

Flávio Henrique

 

 

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