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A
moral refere-se às normas que nos dizem o que
fazer ou não fazer, divide as nossas ações
em certas ou erradas e está diretamente ligada
à nossa vida pessoal. A ética refere-se
à teoria ou sistema que descreve o que é
bem e o que é mal.
Tanto a moral quanto a ética podem ser facilmente
conceituadas, mas será que com a mesma facilidade
conseguimos conceituar: o que é bem? O que é
mal? O que é certo? O que é errado?
Em “A República”, Platão –
filósofo e acadêmico grego (429 a 347 a.C.)
– relata um diálogo no qual Sócrates
lhe pede para definir o Bem: “É o conhecimento,
ou o prazer, ou o quê?” Sócrates,
então respondeu: “Receio que isso esteja
além do meu poder.” Platão dizia
que: “... o objeto de conhecimento mais elevado
é a natureza essencial do Bem, do qual deriva
o valor de tudo que é bom e certo para nós”.
Porém, Platão nunca definiu o que é
bem, muito menos o que é certo e o que é
bom.
Thomas Hobbes – filósofo britânico
(1588 a 1679) – se opôs a Platão
quando disse que não há essência
universal do Bem, que bem e mal são apenas rótulos
que usamos para descrever as coisas que gostamos ou
não. Para ele as palavras “bem” e
“mal” são usadas em relação
à pessoa que as usa.
Um sistema ético onde é possível
orientar-se moralmente e obter um “conceito”
de bem e de mal é encontrado facilmente nas doutrinas
religiosas. Todas as grandes religiões oferecem
uma orientação moral que tem origem num
poder divino, deste modo, as regras criadas por Deus
servem para guiar as ações dos homens
e também para gerar um sistema ético absoluto.
As escrituras das importantes religiões contêm
preceitos sobre a moralidade que podem beneficiar todo
mundo.
Porém, é preciso que a religião
seja vista apenas como um dos meios para se descobrir
as regras éticas e morais da vida. A ciência,
um caminho diferente da religião, não
possui uma regra universal, ela defende a tese na qual
há uma diferença entre o que é
bom para nós e o que é bom em sentido
universal ou ideal.
Um conceito bastante simples de bem é um princípio
básico da filosofia hindu, extraída do
jainismo: a prática do “ahimsa” que
significa agir para assegurar que não cause nenhum
mal a seres sensíveis. Deste modo a nossa bondade
é inversamente proporcional ao mal que causamos
a outros seres sencientes. O que fere outros é
mau; o que é mau fere outros. O que ajuda outros
é bom; o que é bom ajuda outros. O “ahimsa”
se refere não somente aos seres humanos, mas
a todos os seres sensíveis.
Filosofias diversas defendem preceitos bem semelhantes,
como exposto anteriormente, o “ahimsa” prega
que nenhum mal deve ser causado a seres sensíveis.
Confúcio – filósofo chinês
(551 a 479 a.C.) – afirmava que: “O que
não quer que lhe façam, não faça
aos outros.” Hipócrates – grego considerado
“Pai da Medicina” (460 a 377 a.C.) –
aconselhava os médicos: “transforme duas
coisas em hábito – ajudar ou, pelo menos
não fazer mal”. Aristóteles –
filósofo grego (384 a 322 a.C.) – dizia
que: “Devemos nos comportar com nossos amigos
como gostaríamos que nossos amigos se comportassem
conosco.” Hillel – rabino erudito e legalista
da Babilônia (70 a.C. a 10 d.C.) – escreveu:
“O que é odioso para você não
faça com o seu próximo. Esta é
toda Torá. O resto é comentário.”
“Torá" é usado dentro do judaísmo
rabínico para designar todo o escopo da tradição
judaica. A regra de ouro do cristianismo aparece na
Bíblia Sagrada, em Mateus 7,12: “Tudo o
que vocês desejam que os outros façam a
vocês, façam vocês também
a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas.”
As tradições hindu, budista e cristã
explicam as conseqüências de fazer o mal
através de uma lei moral de causa e efeito. As
duas primeiras chamam esta lei de “carma”,
que significa “os frutos maduros da ação”.
O cristianismo ratifica a lei, conforme registrado na
Carta aos Gálatas 6,7 “Não se iludam,
pois com Deus não se brinca: cada um colherá
aquilo que tiver semeado.”
Há também, a doutrina dos opostos, onde
o Tao (Tao Te Ching, comumente traduzido pelo nome de
"O Livro do Caminho e da sua Virtude", é
um dos antigos escritos chineses mais conhecidos e importantes.
A tradição diz que o livro foi escrito
por volta de 600 a.C. por um sábio que viveu
na Dinastia Zhou chamado Lao Tzi "Velho Mestre")
ensina que o bem puro não existe. Lao Tsé
– filósofo chinês, que viveu aproximadamente
no século VI a.C. – defendia a idéia
de que o bem só poderia ser conhecido em comparação
com o mal. Kant – filósofo prussiano (1724
a 1804) – expôs a mesma idéia de
uma outra forma: se houvesse apenas uma mão no
universo, como saberíamos se era a esquerda ou
a direita?
A filosofia chinesa tradicional apresenta idéias
de complementariedade e constante mutação,
a famosa espiral do símbolo ying-yang (princípio
da dualidade onde duas forças complementares
compõem tudo que existe, e do equilíbrio
dinâmico entre elas surge todo movimento e mutação)
representa que o bem não é o oposto, mas
o complemento do mal, e que tudo contém alguma
coisa desse complemento; no símbolo percebe-se
um círculo da cor oposta dentro dos lados branco
e preto.
A fim de relativizar o Bem, a Moral e a Ética,
pode-se citar, inicialmente, Aristóteles, para
quem a vida boa não era simplesmente uma questão
de obedecer a um conjunto de regras. A ética
da virtude significava desenvolver traços de
caráter que o ajudarão a levar este tipo
de vida. E isso significa levar em conta não
apenas o que é melhor para você, mas também
o que é melhor para o mundo em que vive.
Pode-se, também, dizer que algumas ações
são mais convenientes que outras em determinadas
situações. Os sistemas éticos,
podem até mesmo ser concorrentes, que a metaética,
que faz a comparação destes sistemas,
adequa os sistemas éticos às circustâncias
reais. Portanto, é indispensável que cada
um de nós tenha intuitivamente e de modo convicto
o que é bom, moral e ético, com o objetivo
de seguir um determinado conjunto de regras já
existentes, ou mesmo, criar um sistema com o qual possa
viver em harmonia e regras que possa explicar a si mesmo
e aos outros.
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Referências
Bibliográficas:
BÍBLIA. Português. Bíblia
Sagrada. Tradução de Ivo Storniolo,
Euclides M. Balancin e José Bortolini. São
Paulo: Sociedade Bíblica Católica Internacional
e Paulus, 1990. Edição Pastoral.
MARINOFF, Lou. Mais Platão, Menos Prozac.
11ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.
WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. <http://pt.wikipedia.org/wiki/>.
Último acesso em 08 de abril de 2007.
Roberta Binatti
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