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Um olhar filosófico sobre o Bem, o Mal, a Moral e a Ética.

Por: Roberta Binatti


A moral refere-se às normas que nos dizem o que fazer ou não fazer, divide as nossas ações em certas ou erradas e está diretamente ligada à nossa vida pessoal. A ética refere-se à teoria ou sistema que descreve o que é bem e o que é mal.

Tanto a moral quanto a ética podem ser facilmente conceituadas, mas será que com a mesma facilidade conseguimos conceituar: o que é bem? O que é mal? O que é certo? O que é errado?

Em “A República”, Platão – filósofo e acadêmico grego (429 a 347 a.C.) – relata um diálogo no qual Sócrates lhe pede para definir o Bem: “É o conhecimento, ou o prazer, ou o quê?” Sócrates, então respondeu: “Receio que isso esteja além do meu poder.” Platão dizia que: “... o objeto de conhecimento mais elevado é a natureza essencial do Bem, do qual deriva o valor de tudo que é bom e certo para nós”. Porém, Platão nunca definiu o que é bem, muito menos o que é certo e o que é bom.

Thomas Hobbes – filósofo britânico (1588 a 1679) – se opôs a Platão quando disse que não há essência universal do Bem, que bem e mal são apenas rótulos que usamos para descrever as coisas que gostamos ou não. Para ele as palavras “bem” e “mal” são usadas em relação à pessoa que as usa.

Um sistema ético onde é possível orientar-se moralmente e obter um “conceito” de bem e de mal é encontrado facilmente nas doutrinas religiosas. Todas as grandes religiões oferecem uma orientação moral que tem origem num poder divino, deste modo, as regras criadas por Deus servem para guiar as ações dos homens e também para gerar um sistema ético absoluto. As escrituras das importantes religiões contêm preceitos sobre a moralidade que podem beneficiar todo mundo.

Porém, é preciso que a religião seja vista apenas como um dos meios para se descobrir as regras éticas e morais da vida. A ciência, um caminho diferente da religião, não possui uma regra universal, ela defende a tese na qual há uma diferença entre o que é bom para nós e o que é bom em sentido universal ou ideal.

Um conceito bastante simples de bem é um princípio básico da filosofia hindu, extraída do jainismo: a prática do “ahimsa” que significa agir para assegurar que não cause nenhum mal a seres sensíveis. Deste modo a nossa bondade é inversamente proporcional ao mal que causamos a outros seres sencientes. O que fere outros é mau; o que é mau fere outros. O que ajuda outros é bom; o que é bom ajuda outros. O “ahimsa” se refere não somente aos seres humanos, mas a todos os seres sensíveis.

Filosofias diversas defendem preceitos bem semelhantes, como exposto anteriormente, o “ahimsa” prega que nenhum mal deve ser causado a seres sensíveis. Confúcio – filósofo chinês (551 a 479 a.C.) – afirmava que: “O que não quer que lhe façam, não faça aos outros.” Hipócrates – grego considerado “Pai da Medicina” (460 a 377 a.C.) – aconselhava os médicos: “transforme duas coisas em hábito – ajudar ou, pelo menos não fazer mal”. Aristóteles – filósofo grego (384 a 322 a.C.) – dizia que: “Devemos nos comportar com nossos amigos como gostaríamos que nossos amigos se comportassem conosco.” Hillel – rabino erudito e legalista da Babilônia (70 a.C. a 10 d.C.) – escreveu: “O que é odioso para você não faça com o seu próximo. Esta é toda Torá. O resto é comentário.” “Torá" é usado dentro do judaísmo rabínico para designar todo o escopo da tradição judaica. A regra de ouro do cristianismo aparece na Bíblia Sagrada, em Mateus 7,12: “Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas.”

As tradições hindu, budista e cristã explicam as conseqüências de fazer o mal através de uma lei moral de causa e efeito. As duas primeiras chamam esta lei de “carma”, que significa “os frutos maduros da ação”. O cristianismo ratifica a lei, conforme registrado na Carta aos Gálatas 6,7 “Não se iludam, pois com Deus não se brinca: cada um colherá aquilo que tiver semeado.”

Há também, a doutrina dos opostos, onde o Tao (Tao Te Ching, comumente traduzido pelo nome de "O Livro do Caminho e da sua Virtude", é um dos antigos escritos chineses mais conhecidos e importantes. A tradição diz que o livro foi escrito por volta de 600 a.C. por um sábio que viveu na Dinastia Zhou chamado Lao Tzi "Velho Mestre") ensina que o bem puro não existe. Lao Tsé – filósofo chinês, que viveu aproximadamente no século VI a.C. – defendia a idéia de que o bem só poderia ser conhecido em comparação com o mal. Kant – filósofo prussiano (1724 a 1804) – expôs a mesma idéia de uma outra forma: se houvesse apenas uma mão no universo, como saberíamos se era a esquerda ou a direita?

A filosofia chinesa tradicional apresenta idéias de complementariedade e constante mutação, a famosa espiral do símbolo ying-yang (princípio da dualidade onde duas forças complementares compõem tudo que existe, e do equilíbrio dinâmico entre elas surge todo movimento e mutação) representa que o bem não é o oposto, mas o complemento do mal, e que tudo contém alguma coisa desse complemento; no símbolo percebe-se um círculo da cor oposta dentro dos lados branco e preto.

A fim de relativizar o Bem, a Moral e a Ética, pode-se citar, inicialmente, Aristóteles, para quem a vida boa não era simplesmente uma questão de obedecer a um conjunto de regras. A ética da virtude significava desenvolver traços de caráter que o ajudarão a levar este tipo de vida. E isso significa levar em conta não apenas o que é melhor para você, mas também o que é melhor para o mundo em que vive.

Pode-se, também, dizer que algumas ações são mais convenientes que outras em determinadas situações. Os sistemas éticos, podem até mesmo ser concorrentes, que a metaética, que faz a comparação destes sistemas, adequa os sistemas éticos às circustâncias reais. Portanto, é indispensável que cada um de nós tenha intuitivamente e de modo convicto o que é bom, moral e ético, com o objetivo de seguir um determinado conjunto de regras já existentes, ou mesmo, criar um sistema com o qual possa viver em harmonia e regras que possa explicar a si mesmo e aos outros.

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Referências Bibliográficas:

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de Ivo Storniolo, Euclides M. Balancin e José Bortolini. São Paulo: Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus, 1990. Edição Pastoral.

MARINOFF, Lou. Mais Platão, Menos Prozac. 11ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.

WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. <http://pt.wikipedia.org/wiki/>. Último acesso em 08 de abril de 2007.


Roberta Binatti


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