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A educação
é um tema que interessa a todos direta ou indiretamente.
Mas o que é educar? Educar é agir, é
ter ação para ajudar o próximo
a aprender, a atuar por conta própria, é
viver com sincera emoção. Educar é
semear com sabedoria e colher com paciência.
Mais que ensinar crianças e jovens a lidar com
fatos lógicos, fazer cálculos, mais que
ensiná-los a ler um texto, educar é ajudá-los
a interpretar, é trabalhar com a realidade para
que se tornem capazes de ler o mundo, não apenas
aquele que os circunda, mas especialmente o universo
existente dentro de cada um.
Resolver os problemas matemáticos, ler e escrever
bem são necessários, porém é
indispensável saber resolver conflitos existenciais,
perceber que a vida é cheia de contradições,
que as questões emocionais não podem ser
calculadas, não têm conta exata, muito
menos respostas num livro didático.
Augusto Cury, psiquiatra, coloca a educação
e a psiquiatria em posições contrárias,
para ele: “Quanto pior for a qualidade da educação,
mais importante será o papel da psiquiatria neste
século. Vamos assistir passivamente a indústria
dos antidepressivos e tranqüilizantes se tornar
uma das maiores do século XXI? Vamos observar
passivamente nossos filhos serem vítimas do sistema
social que criamos? O que fazer diante desta problemática?
A educação formal é passível
de tornar o ser humano um estranho para si mesmo, incapaz
de se colocar no lugar dos outros, de reconhecer seus
limites. Conhecedor disto, o Ministério da Educação
incluiu nos Parâmetros Curriculares Nacionais
os temas transversais onde assuntos como: ética,
saúde, meio-ambiente, orientação
sexual e pluralidade cultural devem ser inerentes aos
objetivos gerais do ensino.
De acordo com Vigotsky, não há homogeneidade
no processo do aprendizado e desenvolvimento, portanto
a individualidade deve existir, pois ela é o
alicerce da personalidade. É importante entender
que individualidade é diferente de egocentrismo,
o egocêntrico quer que o mundo gire ao seu redor,
sua satisfação está sempre em primeiro
lugar, ainda que seus atos possam implicar o sofrimento
dos outros. Educar demonstrando a heterogeneidade do
mundo é contribuir na formação
de seres humanos para que aprendam a crescer e viver
nas diversidades, que dominem suas emoções,
não sejam estressados e tenham uma visão
crítica do mundo.
A vida precisa ser enaltecida, cada um de nós
tem de saber sua condição de único,
insubstituível, que a verdadeira liberdade está
dentro de nós mesmos, que não podemos
ser frágeis diante das preocupações
do dia-a-dia. Uma educação rica em bom
senso é otimista, construída pelo enfrentamento
de problemas e não pela negação
deles, é contagiante em sonhos e entusiasmos,
forma seres humanos que conhecem seus limites e sua
força. Deste modo, evita conflitos psíquicos
facilmente gerados pelo pessimismo, que Cury chama de
câncer da alma.
A educação tem de ser surpreendente e
não a simples ação de repetir palavras,
até os mesmos erros merecem novas atitudes. Ela
precisa criar novas idéias, emocionar, encantar,
estimular metas, procurar o sucesso no estudo, no trabalho,
nas relações sociais sem que haja medo
do insucesso. Não há pódio sem
derrotas. Muitos não sobem no pódio, não
por não terem capacidade, mas porque não
souberam superar os fracassos do caminho.
Nesta sociedade em que ter é aparentemente muito
mais importante que ser, não só a escola
possui grande responsabilidade na ação
de educar, pais e filhos precisam penetrar um no mundo
do outro, os presentes dados são gratificantes
no momento e lembrados, talvez, por algum tempo, todavia
os pais que se preocupam em contar suas histórias
aos filhos se tornam inesquecíveis.
O maior desejo dos pais deveria ser que seus filhos
fossem seus amigos: diplomas, dinheiro, sucesso são
conseqüências de uma educação
brilhante. Abraçar, beijar e falar espontaneamente
com os filhos cultiva a afetividade; o toque e o diálogo
são mágicos, criam uma esfera de solidariedade,
enriquecem a emoção e resgatam o sentido
da vida.
Os pais devem impor limites e saber dizer “não”
a seus filhos, pois os que não ouvirem “não”
daqueles estarão despreparados para ouvir “não”
da vida.
A educação é uma ação
imprescindível de emoção. Educar
com emoção é estimular o aluno
a pensar antes de reagir, a não ter medo do medo,
a ser líder de si mesmo, autor da sua história,
saber filtrar os estímulos estressantes e a trabalhar
não apenas com fatos lógicos e problemas
concretos, mas também com as contradições
da vida.
Texto baseado no livro
de CURY, Augusto. Pais brilhantes, professores fascinantes.
Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
Roberta Binatti
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