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Educação: Ação, Emoção.

Por: Roberta Binatti


A educação é um tema que interessa a todos direta ou indiretamente. Mas o que é educar? Educar é agir, é ter ação para ajudar o próximo a aprender, a atuar por conta própria, é viver com sincera emoção. Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.
Mais que ensinar crianças e jovens a lidar com fatos lógicos, fazer cálculos, mais que ensiná-los a ler um texto, educar é ajudá-los a interpretar, é trabalhar com a realidade para que se tornem capazes de ler o mundo, não apenas aquele que os circunda, mas especialmente o universo existente dentro de cada um.
Resolver os problemas matemáticos, ler e escrever bem são necessários, porém é indispensável saber resolver conflitos existenciais, perceber que a vida é cheia de contradições, que as questões emocionais não podem ser calculadas, não têm conta exata, muito menos respostas num livro didático.
Augusto Cury, psiquiatra, coloca a educação e a psiquiatria em posições contrárias, para ele: “Quanto pior for a qualidade da educação, mais importante será o papel da psiquiatria neste século. Vamos assistir passivamente a indústria dos antidepressivos e tranqüilizantes se tornar uma das maiores do século XXI? Vamos observar passivamente nossos filhos serem vítimas do sistema social que criamos? O que fazer diante desta problemática?
A educação formal é passível de tornar o ser humano um estranho para si mesmo, incapaz de se colocar no lugar dos outros, de reconhecer seus limites. Conhecedor disto, o Ministério da Educação incluiu nos Parâmetros Curriculares Nacionais os temas transversais onde assuntos como: ética, saúde, meio-ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural devem ser inerentes aos objetivos gerais do ensino.
De acordo com Vigotsky, não há homogeneidade no processo do aprendizado e desenvolvimento, portanto a individualidade deve existir, pois ela é o alicerce da personalidade. É importante entender que individualidade é diferente de egocentrismo, o egocêntrico quer que o mundo gire ao seu redor, sua satisfação está sempre em primeiro lugar, ainda que seus atos possam implicar o sofrimento dos outros. Educar demonstrando a heterogeneidade do mundo é contribuir na formação de seres humanos para que aprendam a crescer e viver nas diversidades, que dominem suas emoções, não sejam estressados e tenham uma visão crítica do mundo.
A vida precisa ser enaltecida, cada um de nós tem de saber sua condição de único, insubstituível, que a verdadeira liberdade está dentro de nós mesmos, que não podemos ser frágeis diante das preocupações do dia-a-dia. Uma educação rica em bom senso é otimista, construída pelo enfrentamento de problemas e não pela negação deles, é contagiante em sonhos e entusiasmos, forma seres humanos que conhecem seus limites e sua força. Deste modo, evita conflitos psíquicos facilmente gerados pelo pessimismo, que Cury chama de câncer da alma.
A educação tem de ser surpreendente e não a simples ação de repetir palavras, até os mesmos erros merecem novas atitudes. Ela precisa criar novas idéias, emocionar, encantar, estimular metas, procurar o sucesso no estudo, no trabalho, nas relações sociais sem que haja medo do insucesso. Não há pódio sem derrotas. Muitos não sobem no pódio, não por não terem capacidade, mas porque não souberam superar os fracassos do caminho.
Nesta sociedade em que ter é aparentemente muito mais importante que ser, não só a escola possui grande responsabilidade na ação de educar, pais e filhos precisam penetrar um no mundo do outro, os presentes dados são gratificantes no momento e lembrados, talvez, por algum tempo, todavia os pais que se preocupam em contar suas histórias aos filhos se tornam inesquecíveis.
O maior desejo dos pais deveria ser que seus filhos fossem seus amigos: diplomas, dinheiro, sucesso são conseqüências de uma educação brilhante. Abraçar, beijar e falar espontaneamente com os filhos cultiva a afetividade; o toque e o diálogo são mágicos, criam uma esfera de solidariedade, enriquecem a emoção e resgatam o sentido da vida.
Os pais devem impor limites e saber dizer “não” a seus filhos, pois os que não ouvirem “não” daqueles estarão despreparados para ouvir “não” da vida.
A educação é uma ação imprescindível de emoção. Educar com emoção é estimular o aluno a pensar antes de reagir, a não ter medo do medo, a ser líder de si mesmo, autor da sua história, saber filtrar os estímulos estressantes e a trabalhar não apenas com fatos lógicos e problemas concretos, mas também com as contradições da vida.

Texto baseado no livro de CURY, Augusto. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

Roberta Binatti


 


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