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Uma boa imagem para ilustrar a
distinção entre tema e assunto é
a da prateleira e a da estante. O tema é uma
das prateleiras da estante assunto. Fugir ao tema é
como escorregar de uma prateleira para outra. Sem, contudo,
sair da estante. Saber a diferença entre os dois
conceitos é muito importante, tanto para o estudante
que faz uma prova de redação quanto para
o professor que a propõe e corrige.
A avaliação escolar de
um exercício de produção de texto
muitas vezes leva em conta aspectos que vão além
da mera competência lingüística. Alguém
que sempre dominou o código e obteve boas notas
em Português pode receber nota zero na prova de
redação por fugir ao tema.
Cada vez mais os exercícios de
escrita têm sido associados à leitura.
É preciso estar atento a uma série de
comandos que determinam expectativas da correção
quanto às competências a serem observadas.
Uma delas é a capacidade de obedecer a instruções.
Um texto totalmente inadequado à
proposta recebe nota zero em qualquer avaliação
escolar. Isso não quer dizer que o texto seja
imprestável. Ele pode até ser bom, mas
é anulado por não se enquadrar nos parâmetros
exigidos.
Mas a inadequação total
à proposta é um procedimento relativamente
raro. Mais comum é a fuga parcial ao tema. Uma
proposta do vestibular da Unicamp pedia ao candidato
que elaborasse uma dissertação sobre “a
violência das tribos urbanas modernas”.
O estudante deveria, portanto, escrever sobre a violência
produzida por gangues ou grupos sociais específicos,
característicos da sociedade moderna, como as
torcidas organizadas de futebol, os neonazistas, os
“pitboys”. Alguns candidatos, entretanto,
produziram textos sobre a violência em geral,
falando da criminalidade, da violência policial,
dos conflitos no campo ou mesmo da violência doméstica.
Se o texto também mencionava a violência
das tribos urbanas modernas, ele não era anulado,
mas sua nota ficava comprometida em decorrência
da fuga parcial ao tema.
Fugir do tema, total ou parcialmente,
é muito mais fácil do que se imagina.
E isso não pode ser confundido com cair em absurdos,
começar tratando de um assunto e, sem mais nem
menos, chegar a outro sem nenhum nexo lógico.
O problema é que continuar no mesmo assunto nem
sempre significa continuar no mesmo tema.
O tema deve ser delimitado dentro de um assunto tão
amplo como a “violência”, por exemplo.
Quem se propuser a isso acabará por produzir
não um texto mas um amontoado de vários
temas sem desenvolvê-los. Uma metralhadora giratória
de tópicos que não formam um raciocínio
com começo, meio e fim.
O estudante deve, portanto, antes de começar
a dissertar, selecionar os aspectos mais importantes
ou que conheça melhor. O assunto “violência”
comporta vários temas e cada um deles pode se
desenvolver em dissertação. Por exemplo:
violência urbana; violência no campo; violência
nos estádios de futebol; violência familiar;
violência da polícia; violência nos
meios de comunicação, violência
contra a mulher, etc.
A delimitação prévia do tema, mesmo
quando não explícita pela proposta de
redação, é prática recomendável,
pois impõe limites e garante que o texto se mantenha
dentro deles.
Fonte: Revista “Discutindo Língua Portuguesa”,
edição Ano 1 nº 1, pp. 38 e 39.
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