O internetês
é uma linguagem que tem o propósito de simplificar
e agilizar a forma de comunicação entre
as pessoas, principalmente daquelas que utilizam a Internet.
O problema está em saber o momento em que se deve
ou não usar tal forma de comunicação.
O internetês altera a forma de se escrever as palavras
e, além disso, cria símbolos para se expressar
emoções (emoticons), coisa que a linguagem
formal não faz com tanta facilidade.
VC JAH TAH POR DENTRO DO “INTERNETêS”?
Escrever coisas desse tipo: aki = aqui, bjs = beijos,
blz = beleza, kd = cadê, eh = é,
fzr = fazer, hj = hoje, mto = muito, naum = não,
pq = porque, tc = teclar, vc = você,
xou = show, é estar atualizado com a linguagem
dos jovens que utilizam a Internet, celulares e todo tipo
de dispositivo de comunicação e interação.
Será que essas mudanças na forma de escrever
vão afetar a língua que conhecemos hoje?
Será que teremos que reaprender a ler e escrever?
Ainda é muito cedo pra saber o impacto, mas já
preocupa professores e especialistas em língua
portuguesa. A tendência à “desnormatização”
é cada vez mais comum entre os jovens e tende a
crescer. As crianças, que possuem mais tempo de
uso de computadores e que já incorporaram as novas
tecnologias como algo natural a sua existência,
sofrem mais influência de todas as modificações
que são provenientes da nova realidade. São
elas quem praticamente escrevem somente em linguagem de
computador e que, a cada dia mais, carregam para a sala
de aula as influências desse processo.
Não se pode considerar como maléficas todas
essas mudanças. A língua está em
constante evolução, ela sempre está
aberta às incorporações naturais.
O internetês ainda vai trazer muitas adaptações
para a gramática brasileira.
Assim como aportuguesamos várias palavras de outras
línguas, o internetês vem para ser uma nova
forma de se expressar. As secretárias usam diversos
símbolos para agilizar suas anotações
e mesmo assim a mensagem é compreendida, os outdoors
são uma forma de expressão visual e mesmo
assim a mensagem é passada, as gírias e
expressões de cada região brasileira são
utilizadas comumente e não são consideradas
ameaças à língua portuguesa, temos
muitas palavras no Sul que são diferentes no Norte.
Um exemplo clássico é abóbora, que
no Norte é o jerimum. Portanto, podemos dizer que
a língua está sempre em mudança,
no tempo e no espaço.
Tudo isso é sinal de que a língua está
em constante evolução e mudança,
o que é perfeitamente aceitável pelos lingüistas
e gramáticos. Veja, por exemplo, a forma de tratamento
mais usual: o "você". Começou de
uma expressão bem maior, que era "vossa mercê",
um tratamento mais respeitoso. Depois foi "vosmecê",
"você" e hoje "cê”.
As novelas mostram as diferenças do português
do século dezenove para a língua portuguesa
contemporânea. A língua muda paulatinamente
e nem sempre percebemos as mudanças.
A linguagem é uma capacidade nata do ser humano,
usada para a comunicação. Essa habilidade
se manifesta por meio de sistemas lingüísticos
ou língua. A língua é o sistema que
cada comunidade usa. Esse sistema vigente nas comunidades
precisa ter um determinado equilíbrio ou as pessoas
acabam não se entendendo. Mas esse equilíbrio
é naturalmente instável, pois a língua
está sempre em movimento. A impressão que
se tem é que é a mesma língua, mas
que cada um tem o seu linguajar. Com isso, ela vai sempre
mudar e se movimentar.
Para um país com “aversão” à
leitura, uma forma de se minimizar o aspecto de ameaça
do internetês é fazer com que os jovens adquiram
o hábito de ler e, assim, saber como se expressar
adequadamente em cada situação do cotidiano.
Luiz Maurício
P. Moreira, Web Master e professor do SENAI.
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