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São cada vez maiores as dúvidas dos profissionais
de educação quanto ao método, à
técnica e ao recurso que devem ser trabalhados
para melhor assimilação dos conteúdos.
É preciso mostrar a facilidade com que novas
técnicas são implementadas na escola,
pelo simples fato de estarem “na moda”.
Se é “nova” deve ser adotada, se
é “motivadora” deve ser praticada,
se “falada”, deve ser generalizada e assim
por diante. Os métodos são adotados sem
que haja uma razão bem definida.
Será que é a escolha desses métodos,
dessas técnicas, que irá elevar o nível
da educação brasileira?
Não se pode negar que muitos professores apóiam-se
nos métodos, esperando que estes lhes tragam
a solução para todos os problemas da educação.
O “como ensinar” parece ter encoberto o
“que ensinar” e o “por que ensinar”.
Dessa forma, não importa que método será
utilizado desde que este mantenha a turma quieta e bem-comportada.
Os professores vêm aproveitando o que aprendem
nos cursinhos de início do ano, que dizem que
a dinâmica de grupo e a pesquisa extracurricular
são as melhores técnicas para se trabalhar
hoje em dia, que as aulas expositivas já eram.
Só que, com isso, eles estão deixando
de “dar” aulas, eles entram em sala, formam
os grupos e mandam que os alunos busquem o aprendizado
através de esforço próprio.
Porém, ao analisar esse método, fica constatado
que com o tal “método de pesquisa”
os alunos ficam sobrecarregados de trabalho e os pais
começam a reclamar.
A didática diz que “qualquer método
de ensino é eficaz desde que seja coerentemente
utilizado pelo professor”, ou seja, não
é o método que trará o sucesso
para o grupo, mas o uso coerente e elaborado deste método
que fará com que o professor tenha sucesso ao
utilizá-lo.
Dessa forma não podemos dizer que um método
é melhor que outro, o sucesso do método
vai depender de vários fatores, como: características
dos alunos, dos objetivos que se procuram atingir, dos
fundamentos psicológicos do método, etc.
Podemos afirmar então, que a escolha do método
a ser utilizado não deve ser feita de forma aleatória,
mas deve ser pensada e estudada pelo professor, de acordo
com os objetivos que ele deseja atingir.
Na última década, foram vários
os “modismos tecnológicos” implementados
na educação brasileira, eles iam sendo
adotados à medida que iam surgindo no mercado,
como se fossem um novo produto à venda nas prateleiras.
Se fossem importados de outro país então,
o sucesso era garantido. Não podemos negar que
alguns deles encontraram respaldo em nosso contexto,
mas o que podemos concluir é que essa importação
indiscriminada de tecnologia educacional aumentou à
medida que atendia aos interesses da classe dominante,
no que diz respeito à educação
das massas oprimidas.
Os professores devem tomar muito cuidado com essas “propostas
inovadoras” porque geralmente elas não
levam em consideração a realidade das
escolas nacionais. O que devemos nos perguntar é:
será que todas essas propostas trouxeram algum
benefício para a educação brasileira?
Ao que parece a resposta é não, visto
que falta capacitação dos profissionais,
tecnologia e, até mesmo, dinheiro pra que sejam
montadas essas estruturas tecnológicas.
E ao professor que ainda deseja fazer um trabalho educacional
eficiente resta ser bombardeado com todas essas metodologias
que, em geral, não auxiliam em nada o seu trabalho.
Entretanto o problema mais grave é quanto ao
fato de “saber o que” e “saber como”
ensinar o conteúdo, o que vem acontecendo é
que pelo baixo nível de conhecimento específico
da matéria, o professor vem usando esses métodos
para disfarçar a sua própria ignorância
no assunto.
Essa “metodologia-escudo” não é
novidade dentro das escolas, pelo contrário,
ela vem freqüentemente sendo utilizada e faz com
que o professor seja forçado a aprender na prática,
o que ele deverá ensinar.
De que maneira, então, esse professor que desconhece
a disciplina, poderá estabelecer objetivos, estruturar
um conteúdo, expor, avaliar, enfim ensinar concretamente?
Parece-nos óbvio que ele terá de se apoiar
nos métodos milagrosos ou então adotar
um livro que faça esse serviço por ele.
E assim, o professor salva a sua pele, transferindo
para o método ou para o livro a função
que antes era sua. Por esse e outros motivos é
que os programas “prontos” encontram tanta
aceitação nas escolas e que cada vez mais
a palavra “educação” torna-se
distante da nossa realidade.
Vale lembrar que qualquer método ou técnica
encontra seus fundamentos numa psicologia educacional,
o que, por sua vez, encontra seus fundamentos numa filosofia
da educação. A educação
brasileira não precisa de métodos milagrosos,
mas sim de uma boa dose de filosofia e política
nas veias.
Tatiana Mattos
Este
artigo foi baseado no texto “Barafunda
Metodológica”. In: SILVA, Ezequiel
Theodoro. Os (des)caminhos da escola : traumatismos
educacionais. 6. ed. São Paulo:
Cortez, 2001.
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