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Métodos de ensino: solução ou problema?

Por: Tatiana Mattos


São cada vez maiores as dúvidas dos profissionais de educação quanto ao método, à técnica e ao recurso que devem ser trabalhados para melhor assimilação dos conteúdos.
É preciso mostrar a facilidade com que novas técnicas são implementadas na escola, pelo simples fato de estarem “na moda”. Se é “nova” deve ser adotada, se é “motivadora” deve ser praticada, se “falada”, deve ser generalizada e assim por diante. Os métodos são adotados sem que haja uma razão bem definida.
Será que é a escolha desses métodos, dessas técnicas, que irá elevar o nível da educação brasileira?
Não se pode negar que muitos professores apóiam-se nos métodos, esperando que estes lhes tragam a solução para todos os problemas da educação.
O “como ensinar” parece ter encoberto o “que ensinar” e o “por que ensinar”. Dessa forma, não importa que método será utilizado desde que este mantenha a turma quieta e bem-comportada.
Os professores vêm aproveitando o que aprendem nos cursinhos de início do ano, que dizem que a dinâmica de grupo e a pesquisa extracurricular são as melhores técnicas para se trabalhar hoje em dia, que as aulas expositivas já eram. Só que, com isso, eles estão deixando de “dar” aulas, eles entram em sala, formam os grupos e mandam que os alunos busquem o aprendizado através de esforço próprio.
Porém, ao analisar esse método, fica constatado que com o tal “método de pesquisa” os alunos ficam sobrecarregados de trabalho e os pais começam a reclamar.
A didática diz que “qualquer método de ensino é eficaz desde que seja coerentemente utilizado pelo professor”, ou seja, não é o método que trará o sucesso para o grupo, mas o uso coerente e elaborado deste método que fará com que o professor tenha sucesso ao utilizá-lo.
Dessa forma não podemos dizer que um método é melhor que outro, o sucesso do método vai depender de vários fatores, como: características dos alunos, dos objetivos que se procuram atingir, dos fundamentos psicológicos do método, etc. Podemos afirmar então, que a escolha do método a ser utilizado não deve ser feita de forma aleatória, mas deve ser pensada e estudada pelo professor, de acordo com os objetivos que ele deseja atingir.
Na última década, foram vários os “modismos tecnológicos” implementados na educação brasileira, eles iam sendo adotados à medida que iam surgindo no mercado, como se fossem um novo produto à venda nas prateleiras. Se fossem importados de outro país então, o sucesso era garantido. Não podemos negar que alguns deles encontraram respaldo em nosso contexto, mas o que podemos concluir é que essa importação indiscriminada de tecnologia educacional aumentou à medida que atendia aos interesses da classe dominante, no que diz respeito à educação das massas oprimidas.
Os professores devem tomar muito cuidado com essas “propostas inovadoras” porque geralmente elas não levam em consideração a realidade das escolas nacionais. O que devemos nos perguntar é: será que todas essas propostas trouxeram algum benefício para a educação brasileira? Ao que parece a resposta é não, visto que falta capacitação dos profissionais, tecnologia e, até mesmo, dinheiro pra que sejam montadas essas estruturas tecnológicas.
E ao professor que ainda deseja fazer um trabalho educacional eficiente resta ser bombardeado com todas essas metodologias que, em geral, não auxiliam em nada o seu trabalho.
Entretanto o problema mais grave é quanto ao fato de “saber o que” e “saber como” ensinar o conteúdo, o que vem acontecendo é que pelo baixo nível de conhecimento específico da matéria, o professor vem usando esses métodos para disfarçar a sua própria ignorância no assunto.
Essa “metodologia-escudo” não é novidade dentro das escolas, pelo contrário, ela vem freqüentemente sendo utilizada e faz com que o professor seja forçado a aprender na prática, o que ele deverá ensinar.
De que maneira, então, esse professor que desconhece a disciplina, poderá estabelecer objetivos, estruturar um conteúdo, expor, avaliar, enfim ensinar concretamente? Parece-nos óbvio que ele terá de se apoiar nos métodos milagrosos ou então adotar um livro que faça esse serviço por ele. E assim, o professor salva a sua pele, transferindo para o método ou para o livro a função que antes era sua. Por esse e outros motivos é que os programas “prontos” encontram tanta aceitação nas escolas e que cada vez mais a palavra “educação” torna-se distante da nossa realidade.
Vale lembrar que qualquer método ou técnica encontra seus fundamentos numa psicologia educacional, o que, por sua vez, encontra seus fundamentos numa filosofia da educação. A educação brasileira não precisa de métodos milagrosos, mas sim de uma boa dose de filosofia e política nas veias.

Tatiana Mattos

Este artigo foi baseado no texto “Barafunda Metodológica”. In: SILVA, Ezequiel Theodoro. Os (des)caminhos da escola : traumatismos educacionais. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

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