|
Ultrapassado. Escolas de cerca
de 40 Estados americanos vão abandonar ensino
da letra cursiva, por considerá-la hoje ultrapassada
e desnecessária.
O ensino da letra cursiva (de mão)
será opcional em Indiana e deverá ser
banido definitivamente nos próximos anos. A decisão
deve ser seguida por mais de 40 Estados americanos que
também consideram esta forma de escrever como
ultrapassada. Na avaliação deles, é
mais importante se concentrar no aprendizado das letras
bastão (de forma).
O argumento dos defensores desta lei,
que provocou polêmica nos Estados Unidos nas últimas
semanas, é de que hoje as crianças praticamente
não
necessitam mais escrever as letras com caneta ou lápis
no papel.
Seria mais importante elas aprenderem
a digitar mais rapidamente, já que quase toda
a comunicação acontece por meio de letras
de forma nos celulares e computadores.
"As escolas devem decidir se pretendem
ensinar letra cursiva, mas recomendamos que deixem de
ensinar e se foquem em áreas mais importantes.
Também seria desnecessário encomendar
apostilas que ensinem letras cursiva",
diz um memorando do Departamento de Educação
de Indiana.
A Carolina do Norte também já
anunciou que adotará uma medida similar,
segundo suas autoridades educacionais.
A Geórgia é outro Estado
americano que recomenda o fim do ensino, segundo seu
porta-voz Matt Cardoza, apesar de "aceitar que
os alunos aprendam a letra de mão caso os professores
considerem necessário".
Esses Estados, assim como outros 40,
integram o Common Core Stated Standards Initiativa (Iniciativa
para um Padrão Comum de Currículo), responsável
por tentar padronizar o ensino básico nos Estados
Unidos. O grupo defende
abertamente o fim do ensino da letra cursiva.
Jody Pfister, diretor de um distrito
escolar em Indiana, escreveu artigo em um jornal local
defendendo as mudanças. "Se olharmos antigos
documentos ou se vermos a escrita de mão dos
tempos da guerra civil, eles eram verdadeiros trabalhos
artísticos e certamente perderemos parte disso.
Mas temos de levar em conta o progresso", escreveu
o diretor.
Os opositores, além de levar
em conta a tradição, dizem que a letra
representa em parte a personalidade das pessoas, especialmente
nas assinaturas, e também permite que sejam lidos
documentos históricos, como a declaração
de independência dos Estados Unidos.
Um encontro da Master Penmen, a associação
internacional dos instrutores de
letra de mão, deve se encerrar hoje no Arizona
com um repúdio à decisão em Indiana.
Eles contam também com um apoio indireto do presidente
Barack
Obama, que tem o costume de escrever cartas de próprio
punho para algumas
pessoas, inclusive para eleitores.
Trajetória. Até
poucas décadas, o ensino da letra cursiva nos
países ocidentais era inquestionável,
e crianças passavam horas aperfeiçoando
a letra em cadernos de caligrafia. O importante, além
de tornar os traços legíveis, era ser
capaz de escrever de uma forma considerada bonita. Foi
com a pedagogia moderna que a exigência da letra
cursiva começou a ser questionada. Com o tempo,
cadernos de caligrafia caíram em desuso.
Gustavo
Chacra - O Estado de S.Paulo
18 de julho de 2011
Voltar
para a página inicial
|